Bastonário quer revisão da legislação sobre diretores clínicos

A Ordem dos Médicos defendeu esta quinta-feira a revisão da legislação que enquadra a nomeação dos diretores clínicos, para que os cargos possam ser ocupados por profissionais capacitados e tentar travar a onda de demissões. A atual legislação impede a manutenção de funções médicas no privado quando se é diretor clínico.
créditos: Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos falava à Lusa a propósito das recentes demissões dos diretores de serviço do Hospital Amadora-Sintra e do diretor clínico do Hospital de Santa Maria.

“O lugar de diretor clínico é muito complexo, exigente e sensível. A legislação publicada impõe tantas restrições à sua nomeação, que normalmente nunca são a primeira escolha. O diretor clínico do Amadora-Sintra foi a oitava escolha e o de Santa Maria foi a quarta escolha”, afirmou José Manuel Silva.

Na opinião deste responsável, a legislação que enquadra a nomeação do diretor clínico tem de ser revista, para que se possa “nomear pessoas de qualidade, bom senso, diálogo e que sejam respeitadas pelos pares das instituições”.

No caso do Amadora-Sintra, os diretores de serviço que puseram o lugar à disposição acusaram o Conselho de Administração e a Direção Clínica de “ausência de estratégia para evitar a contínua degradação das condições de trabalho e assistenciais” e referiram que o hospital pode estar condenado à insolvência económico-financeira no contexto das políticas de saúde em vigor.

“Porque é que um diretor clínico não pode exercer outras atividades? O Amadora-Sintra tinha uma diretora clínica eficiente, com um bom relacionamento com os colegas e foi obrigada a demitir-se por causa da legislação”, disse.

Diretores clínicos impedidos de exercer no privado

Segundo o bastonário, o cargo de diretor clínico “é muito mal pago” e tornou-se incompatível com exercício no privado: a diretora clínica não ia deixar o consultório para manter o cargo. “Acabou por ser “substituída pela oitava escolha”.

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