Bastonário dos Médicos defende intensidade de combate à fraude a outros setores e não apenas na saúde

Bastonário surpreendido com dimensão de médicos envolvidos em processos judiciais
20 de fevereiro de 2014 - 16h31



O bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje como "extremamente positivo" o combate à fraude e à corrupção na saúde e defendeu que a mesma intensidade da luta às ilegalidades deveria ser aplicada a outros setores da economia.



"Dou os parabéns ao senhor ministro ao verificar que há um efetivo combate à fraude e à corrupção na saúde, o que é extremamente positivo", disse José Manuel Silva, no final da visita que efetuou ao hospital de Portimão, no segundo dia do périplo por hospitais e centros de saúde do Algarve.



Questionado sobre o elevado número de clínicos sob investigação, por alegadas ilegalidades relacionadas com o exercício da profissão, o bastonário manifestou-se "surpreendido com a dimensão do número de médicos envolvidos".



"Esperemos que efetivamente não sejam todos culpados, mas se o forem instituiremos penas severíssimas", assegurou José Manuel Silva.



O bastonário da Ordem dos Médicos disse que "gostaria de ver noutros setores da economia", a mesma intensidade contra a fraude e a corrupção que está a ser aplicada na área da saúde, onde dezenas de pessoas estão a ser investigadas.



"Há dezenas de pessoas ligadas à saúde, de várias profissões, que estão presas e, pergunto-me, por exemplo, porque é que nas fraudes do BPN não está ninguém preso", sublinhou José Manuel Silva.



Para o bastonário dos Médicos, existe "uma justiça a duas velocidades, o que, obviamente, é tão inaceitável como não aceitar ou rejeitar que possamos ter um sistema de saúde a duas velocidades".



Expulsão da ordem



José Manuel Silva reiterou a determinação da Ordem em expulsar os médicos "que se confirme em tribunal que efetivamente são culpados de violar o código deontológico de forma tão grosseira, confundindo o exercício hiprocrático da medicina com comércio ilegal".



O bastonário da Ordem dos Médicos iniciou na quarta-feira uma visita aos hospitais de Faro e de Portimão e a alguns centros de saúde do Algarve, depois de 370 médicos terem alertado para problemas e falta de medicamentos nos serviços clínicos das unidades de saúde, por alegando má gestão do Centro Hospitalar do Algarve.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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