Bastonário da Ordem dos Médicos fala em "catástrofe" na saúde

O bastonário da Ordem dos Médicos considerou esta sexta-feira que não é possível discutir um plano de catástrofe quando a catástrofe está a acontecer no sistema de saúde e defendeu que a atual epidemia de gripe era antecipável.
créditos: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Estas posições foram assumidas por José Manuel Silva no final de uma reunião que classificou como "muito importante" com o secretário-geral do PS, António Costa, na qual também esteve presente o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto.

"Apesar de Portugal ser um país temperado, os idosos portugueses são particularmente frágeis, passam mais frio do que outros idosos de países europeus, possuem polipatologia, vivem sozinhos e a redução dos apoios sociais agravou o impacto negativo do inverno. Portanto, era expetável que houvesse uma maior pressão sobre o sistema de saúde", sustentou o bastonário da Ordem dos Médicos.

José Manuel Silva disse depois que outros países que atravessaram crises financeiras, como a Islândia e a Irlanda, não desinvestiram na resposta nos seus sistemas de saúde, ao contrário de Portugal.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, em Portugal registou-se "um aumento da procura" dos serviços de saúde, algo que "já se previa que iria ocorrer em dezembro passado".

Falta de planeamento

"Já se previa que a epidemia de gripe poderia ser mais grave, nomeadamente após se detetar uma mutação de um dos vírus - e isso obrigava naturalmente a fazer-se planeamento para que o sistema estivesse preparado para responder à maior procura, mas também à menor disponibilidade de apoios sociais por causa dos cortes. Agora, estamos a viver uma situação grave, e é evidente que quando a catástrofe está a acontecer não é possível começar a discutir um plano de catástrofe", criticou José Manuel Silva.

O bastonário da Ordem dos Médicos usou também palavras duras para descrever o que se passou com casos controversos de mortalidade em algumas urgências hospitalares do país.

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