Bastonário da Ordem dos Médicos comenta fraudes de medicamentos

Possível envolvimento de profissionais levará a 'severas penalizações' ou mesmo à 'expulsão'

O bastonário da Ordem dos Médicos garantiu hoje que um possível envolvimento de um profissional nas fraudes dos medicamentos levará a “severas penalizações” ou mesmo à “expulsão da profissão”.

“Se porventura estiverem médicos envolvidos nós cá estaremos para instituir severas penalizações a esses médicos que de forma tão grosseira estariam a ferir o código de ética e deontológico dos médicos”, disse José Manuel Silva à Agência Lusa, comentando dados divulgados em relatórios da Inspeção-Geral das Finanças e da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, citados hoje na comunicação social.

O bastonário da Ordem dos Médicos sublinhou que até ao momento não se confirma o envolvimento dos médicos e como exemplo referiu o caso dos médicos falecidos que continuam a prescrever receitas.

“Em todas as profissões existem pessoas que não respeitam as regras e nós os médicos somos os primeiros interessados em que haja mecanismos que possibilitem a deteção de médicos prevaricadores”, indicou José Manuel Silva, sublinhando que entre os 42.000 profissionais inscritos na Ordem “pode haver meia dúzia que não são honestos”.

José Manuel Silva garantiu que “que se houver médicos envolvidos no circuito fraudulento do medicamento a ordem dos médicos será extraordinariamente severa” e “poderá chegar à expulsão da profissão”.

O bastonário da Ordem dos Médicos disse que a fraude dos medicamentos só “é possível porque vivemos num país que não se empenha nem desenvolve os meios suficientes para um efetivo combate à fraude e à corrupção”.

De acordo com José Manuel Silva, “as receitas e as vinhetas são fáceis de falsificar” pelo que deve existir mais rigor a conferir os dados e “as punições têm de ser exemplares”.

“O problema é que se criou neste país uma ideia de que o crime compensa, porque mesmo que as pessoas sejam apanhadas as penalizações são mínimas”, defendeu.

Segundo o bastonário, “as entidades que conferem os circuitos públicos têm de ter uma efetiva capacidade de investigação caso contrário nós não temos qualquer possibilidade de equilibrar as nossas finanças públicas”.

José Manuel Silva considera que o facto da fraude nos medicamentos ter chegado aos 40 por cento em 2010 constitui num “número impressionante” que “ultrapassa ou chega provavelmente aos mil milhões de euros”

“O que a Ordem dos Médicos deseja é que as investigações vão até ao fim e produzam resultados doa a quem doer”, referiu o bastonário.

Relativamente à entrada em funções do novo governo, José Manuel Silva foi claro: “A principal missão deste novo Governo é dotar os meios de investigação de capacidade e recursos técnicos e humanos para efetivamente detetarem e combaterem a fraude e corrupção, caso contrário o país não consegue sair da bancarrota”.

22 de junho de 2011

Fonte: Lusa

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