Autismo resulta de anomalias no desenvolvimento das estruturas cerebrais do feto

Crianças autistas têm em falta alguns genes cerebrais, revela estudo
27 de março de 2014 - 09h22



O autismo resultará de anomalias no desenvolvimento de certas estruturas cerebrais do feto, revelaram hoje neurologistas americanos.



A descoberta faz parte de um estudo que mostra que existe uma desorganização na estrutura cerebral das crianças autistas.



"Se for confirmada por outras investigações, poderemos deduzir que isso reflete um processo que se produz bastante tempo antes da nascença", explicou Thomas Insel, diretor do Instituto Americano da Saúde Mental (IASM), que financiou o trabalho publicado na revista New England Journal of Medicine.



"Estes resultados mostram a importância de uma intervenção precoce para tratar o autismo, que atinge uma em cada 88 crianças nos Estados Unidos", salientou.



O autismo é "geralmente considerado como um problema do desenvolvimento do cérebro, mas as investigações não permitiram ainda identificar a lesão responsável", disse.



"O desenvolvimento do cérebro de um feto durante a gravidez inclui a criação do córtex - ou córtex cerebral – composto por seis camadas distintas de neurónios", precisou Eric Courchesne, diretor do Centro de Excelência em Autismo da Universidade da Califórnia (San Diego), principal coautor da pesquisa.



"Nós descobrimos anomalias no desenvolvimento dessas camadas corticais na maioria das crianças autistas", acrescentou.



Os médicos analisaram amostras de tecido cerebral 'post-mortem' provenientes de 11 crianças autistas com idades entre os dois e os 15 anos no momento da sua morte e compararam-nas com amostras de um grupo de 11 crianças que não eram autistas.



Os investigadores analisaram uma série de 25 genes que servem de marcadores para certos tipos de células cerebrais que formam as seis camadas do córtex e constataram que estes marcadores estavam ausentes em 91% dos cérebros de crianças autistas, contra nove por cento no grupo de controlo (crianças não autistas).



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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