Associação denuncia falta de igualdade no tratamento da Hepatite C em Portugal

Congresso debate falta de medicamentos inovadores que permitem curar 80% dos doentes

9 de novembro de 2013 - 07h47

A falta de igualdade e equidade no tratamento dos doentes com Hepatite C, que em alguns hospitais têm acesso a medicamentos inovadores e noutros não, é o principal tema de um congresso nacional que hoje decorre em Lisboa.

Segundo a SOS Hepatites, que organiza o 1º Congresso Nacional “Tratar a Hepatite C: Uma obrigação!”, em toda a Europa, apenas três países, entre os quais Portugal, ainda não têm disponíveis estes medicamentos, que podem tratar e até curar 80% dos doentes com Hepatite C.

“A nossa maior preocupação é a falta de medicação e de equidade e igualdade para o tratamento”, afirmou a presidente da SOS Hepatites, Emília Rodrigues, para quem é inadmissível que no Hospital de São João não disponibilizem medicação inovadora aos doentes e que no Hospital de Santo António disponibilizem.

“Não podemos admitir um tratamento a que o doente tem acesso mediante a sua área de residência. Isto é uma discriminação”, acusou.

Um dos objetivos do congresso é, por isso, “mostrar à população e ao Governo a realidade mundial e a nossa”, estando para tal presentes no congresso o presidente da aliança mundial das hepatites e a presidente da associação europeia das doenças de fígado.

“Temos que começar a alertar que 20% dos infetados vão ter cirrose e vão acabar por morrer devido a isso”, afirmou, sublinhando que com acesso aos tratamentos inovadores a média de cura chega aos 80%.

Com o tratamento convencional, as hipóteses de cura andam entre os 50% e os 60%.

Quanto aos custos do tratamento, Emília Rodrigues referiu que o tratamento convencional de um doente com hepatite C custa ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) uma média de 15 a 20 mil euros por ano.

O tratamento que não existe – o convencional acrescido do inovador – custaria uma média de 30 mil euros por doente por ano.

No entanto, sublinha a responsável, os custos de não tratar estes doentes é muito superior, não só em termos sociais e humanos, como económicos.

Isso mesmo será demonstrado num estudo do economista Albuquerque Dias, que vai ser divulgado no congresso, denominado “Quanto custa não tratar a Hepatite C”, afirmou.

Segundo o estudo, uma pessoa com hepatite C (desde 1985) tem uma probabilidade de 26% de, em 2013, ter desenvolvido Cirrose Compensada, de 3% de ter Cirrose Descompensada e de 2% de ter Cancro no Fígado.

Em 2020, essas probabilidades serão de 37%, 4% e 3%, respetivamente.

O congresso decorre durante todo o dia na Ordem dos Médicos.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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