As ETAR são eficientes, mas não eliminam todos os resíduos de medicamentos

Nota-se presença maior de anti-inflamatórios nas águas afluentes e efluentes do que outros fármacos
16 de junho de 2014 - 09h01



As estações de tratamento de águas residuais (ETAR) têm uma elevada taxa de remoção de resíduos de medicamentos, mas dificilmente eliminam todos os compostos e novos contaminantes, afirmou à agência Lusa a investigadora Angelina Pena, da Universidade de Coimbra.



A investigadora do Centro de Estudos Farmacêuticos coordenou o primeiro estudo nacional sobre a presença de resíduos de medicamentos nas águas que entram e saem de 15 ETAR portuguesas e os resultados serão divulgados num seminário internacional na quarta-feira, em Coimbra.



O estudo incidiu em 15 estações de tratamento de norte a sul do país - as ilhas foram excluídas -, com a equipa de investigação a monitorizar 11 medicamentos de quatro grupos terapêuticos mais consumidos pelos portugueses: anti-inflamatórios, antibióticos, ansiolíticos e antidislipidémicos.



"Este é o primeiro estudo a nível nacional sobre a presença de resíduos em águas de estações de tratamento. As ETAR estão a funcionar bem, mas há nova legislação europeia a cumprir, há novos compostos e novos contaminantes emergentes e é preciso dar resposta a isso", explicou Angelina Pena.



Segundo a investigadora, o estudo revela que se nota uma presença maior de anti-inflamatórios nas águas afluentes e efluentes, porque esse é o grupo de fármacos mais consumido pelos portugueses (e consequentemente o mais frequente nos resíduos libertados pelo organismo humano).



"O estudo não põe em causa o funcionamento das ETAR e os resultados são concordantes se comparados com outros países a nível europeu", esclareceu a investigadora, sublinhando que os dados estão ainda a ser analisados e têm como objetivo auxiliar os legisladores portugueses no cumprimento das diretivas europeias.



Cofinanciado por fundos europeus e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o estudo "Ecopharmap" foi executado ao longo de 2013 por uma equipa de quatro investigadores da Universidade de Coimbra.



Os dados da investigação vão ser debatidos num seminário sobre o risco de novos poluentes para o ambiente, no dia 18, quarta-feira, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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