ARS de Lisboa contesta relatório do Tribunal de Contas sobre Hospital da Cruz Vermelha

Cruz Vermelha Portuguesa nega que haja qualquer relação de favor com o Estado
15 de outubro de 2013 - 12h22



A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo disse estar perplexa face às críticas do Tribunal de Contas (TC) explicando que encaminhou doentes para a Cruz Vermelha por ser mais barato e pela proximidade dos familiares. Para o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), Luís Barbosa, a relação da organização com o Estado "não é, nem nunca será, uma relação de favor".



Um relatório do TC divulgado no domingo afirmou que o Estado teria poupado 30 milhões de euros se os doentes encaminhados para o Hospital da Cruz Vermelha entre 2009 e 2011 tivessem sido tratados no Serviço Nacional de Saúde (SNS).



O Tribunal de Contas referia-se à execução do acordo de cooperação entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e a sociedade que explora o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCV).



No documento, o TC criticava o facto de a negociação não ter sido “fundamentada em indicadores sobre a eficiência do SNS, nomeadamente em termos de utilização da capacidade instalada e de custos, não ponderando nem confrontando os preços negociados para a produção prevista nos acordos com os custos dessa produção em unidades hospitalares do SNS”.



Críticas que provocaram “perplexidade” na ARSLVT, já que segundo esta entidade, as duas instituições recomendadas pelo tribunal – Associação Protetora dos Diabéticos (APDP) e à Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) – em detrimento da Cruz Vermelha praticavam preços superiores.



Segundo a Administração Regional, essa opção “prejudicaria os contribuintes que asseguram a sustentabilidade financeira do SNS pela qual a ARSLVT pugna”.



Também o presidente da CVP, Luís Barbosa, num comunicado enviado às redações, nega que haja qualquer relação de favor com o Estado ou que esteja em causa a sustentabilidade financeira da instituição.



Por seu lado, a Associação de Hospitalização Privada reagiu às conclusões do relatório, reclamando concursos públicos e análises de custo-benefício nos acordos de cooperação com o Estado.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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