Arguido no caso Remédio Santo diz que burla servia para atingir objetivos do laboratório

Caso envolve 18 arguidos que terão lesado SNS em 4 milhões de euros
26 de fevereiro de 2014 - 14h33



O ex-delegado de informação médica Rui Peixoto foi ouvido esta quarta-feira no julgamento do caso Remédio Santo, que envolve burlas ao Serviço Nacional de Saúde no valor de quatro milhões de euros, e confessou os crimes de falsificação de documentos e de burla mas recusou a acusação de associação criminosa.



Rui Peixoto confessou no Tribunal de Monsanto angariar receitas junto de médicos ou através de outros delegados com o objetivo de aumentar as vendas e cumprir as metas impostas pelo laboratório onde trabalhava.



O antigo delegado de informação médica afirmou que para "se atingir os objetivos era necessário especular as vendas" e que essa era "uma prática comum e corrente nos laboratórios", acrescentando que "os que não compactuavam dificilmente conseguiam atingir os objetivos e deparavam-se com a realidade da perda de emprego", cita o jornal Público.



Os medicamentos prescritos tinham sempre comparticipações acima dos 69%. Os fármacos eram levantados e encaminhados para o farmacêutico Daniel Ramos, que escoava os produtos para o mercado nacional e internacional.



Tentativa de acordo



O julgamento do processo arrancou na semana passada, mas foi suspenso já que a defesa tentou um acordo de pena com o Ministério Público, solução reprovada pela Procuradoria-Geral da República.



Os 18 arguidos são suspeitos de pertencerem a uma rede que terá lesado o SNS em cerca de quatro milhões de euros. Entre os 18 envolvidos estão seis médicos, dois farmacêuticos, sete delegados de informação médica, uma esteticista (ex-delegada deinformação médica), um empresário brasileiro e um comerciante de pão.



O médico Luíz Renato Basile é o único arguido em prisão preventiva, nove outros elementos estão com pulseira eletrónica e os restantes encontram-se em liberdade.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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