Aprovar remédio para hepatite C não é igual a dá-lo aos doentes, lembra associação

SOS Hepatites diz que há mais de 80 doentes à espera do novo fármaco
15 de maio de 2014 - 15h11



A associação SOS Hepatites mostrou-se hoje satisfeita com a notícia de que a Autoridade do Medicamento vai aprovar o uso de um novo fármaco para a hepatite C, mas receia que não chegue a ser disponibilizado nos hospitais.



“Ficámos muito felizes com a notícia da aprovação, temos doentes que neste momento necessitam mesmo deste tratamento”, disse à agência Lusa Emília Rodrigues, dirigente da SOS Hepatites.



Segundo o Diário de Notícias de hoje, o Infarmed vai aprovar o uso de um novo medicamento para a hepatite C dentro de um mês, uma confirmação feita pelo presidente do organismo.



Embora se congratule com a decisão, a SOS Hepatites teme que após a aprovação o medicamento acabe por não ser dado aos doentes, devido às dificuldades financeiras dos hospitais.



“A minha preocupação é que aconteça o mesmo do que com o fármaco aprovado em janeiro, que neste momento quase ninguém está a fazê-lo. Porque as administrações [hospitalares] não têm dinheiro para comprar a medicação. A aprovação é uma coisa, a disponibilização é outra”, referiu Emília Rodrigues à Lusa.



A SOS Hepatites diz que em março eram já mais de 80 os doentes que aguardavam este novo fármaco, tendo os hospitais pedido autorizações especiais de utilização para a sua administração.



O remédio tem uma taxa de cura acima de 90%, sendo o “único medicamento que dá para todos os genótipos” da infeção e que pode ser usado pré e pós transplante, explicou a dirigente da associação de doentes.



O fármaco ainda em análise pelo Infarmed foi aprovado a nível europeu a 17 de janeiro e custa cerca de 48 mil euros, para três meses de tratamento.



Emília Rodrigues lembrou que o medicamento não será para aplicar de forma igual e imediata em todos os doentes com hepatite C, recorrendo a este fármaco consoante a gravidade das situações.



Esta semana, um grupo de peritos apresentou um documento no qual aconselha Portugal a adotar novos modelos de financiamento e negociação que garantam o acesso dos doentes com hepatite C aos medicamentos mais eficazes, estimando que a doença custa anualmente 70 milhões de euros.



Na segunda-feira, a SOS Hepatites promove um encontro para debater, entre médicos, políticos e empresários, a situação das doenças do fígado em Portugal, incluindo a hepatite C.



Por SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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