App portuguesa para pedir médico ao domicílio rende 350 mil euros na Web Summit

Uma má experiência no atendimento do filho num hospital levou José António Bastos a criar uma aplicação que permite chamar médicos ao domicílio. Onze meses depois a empresa assinou, durante a Web Summit, um contrato de 350 mil euros.
créditos: MIGUEL A. LOPES/LUSA

A história da startup portuguesa Knok Healthcare nasce num dia em que um dos seus cofundadores teve de levar o filho de cinco anos a um hospital, por causa de uma virose, três vezes em apenas nove dias, perdendo três manhãs de trabalho. E a experiência não correu nada bem: “foi péssima”, conta José António Bastos. Tudo correu mal com os médicos, não por causa da doença em si, mas nos contactos com os clínicos. E enquanto esperava numa sala de espera disse a si próprio: “isto não faz sentido!”

Questionou-se então se não existiria uma aplicação que permitisse selecionar um médico e chamá-lo, seja a casa ou a um local de trabalho e de forma a não perder muito tempo. “E não encontrei”. Mas a ideia de criar uma aplicação nesta área não decorreu apenas da sua experiencia como pai. A sua experiência como neto também foi determinante para incentivar a criação da empresa: a avó tinha problemas extremos de mobilidade e não conseguia ter médicos especialistas a irem a casa dela.

A aplicação criada pela Knok Healthcare permite que os doentes chamem médicos para serviços de medicina primária, nas áreas de medicina geral e familiar, pediatria e medicina interna. “O objetivo é um serviço de saúde de grande qualidade, onde os médicos vão ao encontro das pessoas que os chamam”, por um valor de 49 euros.

App sem publicidade lançada há menos de um ano

Lançada a 04 de dezembro de 2015, e com a primeira consulta realizada dois dias depois, a aplicação conta atualmente com 120 clínicos, selecionados através de três fases: verificação das habilitações, reunião clínica e uma avaliação de natureza humana para perceber se o candidato se identifica com os ideais da empresa.

Nos primeiros onze meses, José António Bastos constatou que os clientes são de três tipos: crianças, e são os pais que chamam, idosos a cargo de terceiros ou que vivem sozinhos, e normalmente são os filhos ou os netos que chamam, e adultos para eles próprios. Os médicos inscritos indicam na sua parte da aplicação se estão ou não disponíveis, o que fica visível aos utilizadores. “Temos pessoas que estão a trabalhar no escritório e não querem sair do local de trabalho e querem ser vistos por um médico”, exemplificou.

A aplicação já teve mais de 4.000 downloads, sem qualquer publicidade, e o negócio está a crescer 14 por cento à semana. Mas o empurrão para a “massificação” pode ter chegado na terça-feira, quando a empresa assinou na Web Summit um contrato de investimento no valor de 350 mil euros com uma empresa de capital de risco inglesa, interessada em projetos com “impacto social positivo”, mas com “retorno financeiro relevante”.

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