Alzheimer Portugal quer linha de apoio específico para orientar doentes e cuidadores

Estima-se que haja em Portugal cerca de 150 mil pessoas com demência, 90 mil com Alzheimer
29 de maio de 2013 - 14h48
Maria do Rosário dos Reis, que foi dirigente da Alzheimer Portugal nos últimos 12 anos, defendeu hoje a necessidade de criar uma linha específica de apoio e orientação para os cuidadores e doentes de Alzheimer.
“Por vezes recebemos telefonemas de pessoas desesperadas que não sabem o que hão de fazer com o seu familiar doente, em particular quando ocorrem crises de alucinações e de ideias delirantes. Essas crises são tratáveis e contornáveis e muitas vezes nem sequer é preciso recorrerem a nenhuma intervenção farmacológica, só é preciso saber lidar”, disse a responsável.
Maria do Rosário dos Reis continua a integrar os órgãos sociais da Alzheimer Portugal, mas foi substituída na presidência por João Carneiro da Silva, em janeiro deste ano.
Em declarações à Lusa, referiu que os cuidadores familiares ou profissionais devem tentar perceber “o que está por trás da reação do doente. Às vezes, as crises ocorrem porque têm medo de alguma coisa, outras vezes é porque têm algum mal-estar físico que não conseguem explicar. O cuidador pode aprender, não contrariando, a dar volta ao problema”.
A responsável referiu que a associação Alzheimer Portugal, com delegações em várias cidades do país, disponibiliza acompanhamento técnico, nomeadamente de psicólogos, terapeutas ocupacionais ou de assistentes sociais.
Tal como em outras circunstâncias, “também aqui o melhor é prevenir, ou seja, os cuidadores devem procurar saber antecipadamente como lidar adequadamente com determinadas situações”.
“Ao contrário do que acontece nos casos de bipolaridade ou esquizofrenia, no Alzheimer não se recorre ao internamento compulsivo. As pessoas com demência são uma realidade diferente e estas crises passam tanto mais depressa quanto melhor soubermos lidar com elas”, sublinhou.
Maria do Rosário dos Reis considera, por isso, que enquanto estas doenças não forem consideradas uma prioridade, justificava-se a existência uma linha específica.
“Podia ser uma linha da associação, se tivéssemos estrutura para funcionar dia e noite, como podia ser uma linha do Estado. O importante era que as pessoas que vivem isoladas e não conseguem recorrer a familiares ou vizinhos soubessem o que fazer numa situação de emergência”, frisou.
Contudo, a responsável congratulou-se com o facto de neste momento “começar a haver alguma preocupação do Governo e do Ministério da Saúde” em relação a esta problemática.
Maria do Rosário dos Reis referiu a reunião realizada há alguns dias em Lisboa com a participação de cerca de 40 peritos para discutir a importância de um plano nacional para as demências.
“O pontapé de saída para que isso aconteça, foi dado. O plano ainda não existe, mas vai avançar rapidamente, falta só mesmo o ministro das Finanças aprovar a verba necessária. Será iniciado em breve um levantamento das necessidades das pessoas com demência”, sustentou.
Estima-se que haja em Portugal cerca de 150 mil pessoas com demência e, dessas, 90 mil tenham Alzheimer.
“Aprender a lidar com a doença é fundamental. E falo-lhe por experiencia própria, tive a minha mãe com Alzheimer durante 20 anos e sei bem qual a importância de conhecer estratégias para lidar com estas pessoas. E isso aprende-se. Nas ações de formação da associação Alzheimer, por exemplo”, frisou.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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