Alentejo e Algarve sem exames de medicina nuclear

Exames podem ser determinantes na avaliação da extensão de um cancro

12 de novembro de 2013 - 13h22

Toda a população do Algarve e mais de 76% da população alentejana está a mais de 90 minutos de uma unidade com um equipamento de radiologia importante na avaliação dos casos de cancro, segundo um estudo hoje divulgado.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), em resposta a um pedido do Ministério, analisou a situação do mercado das tomografias por emissão de positrões (PET) em Portugal Continental, um equipamento que permite realizar exames não invasivos que podem ser determinantes na avaliação da extensão de um cancro e na orientação terapêutica.

O estudo concluiu que o acesso dos utentes a estes equipamentos é desigual, com a ERS a recomendar que sejam revistos os critérios de distribuição geográfica dos equipamentos, sobretudos nas administrações regionais de saúde (ARS) que não os têm.

Do total de 12 estabelecimentos com este equipamento, quatro situam-se na ARS do Norte, dois no Centro e seis em Lisboa e Vale do Tejo, sendo que sete deles estão em unidades privadas.

“Verificou-se que a realidade entre as diferentes ARS é muito heterogénea”, frisa a Entidade Reguladora da Saúde.

Na ARS do Centro 15% da população está localizada a mais de 90 minutos de viagem de um estabelecimento com PET, no Alentejo essa percentagem é de 76,2% e no Algarve é a totalidade da população.

Contudo, mais de 50% da população portuguesa estão a menos de 30 minutos de viagem, 24% encontram-se a menos de uma hora de caminho e, no total, são 13% os que estão a mais de 90 minutos.

Segundo a ERS, estima-se que dos 12 mil utentes que realizaram exames PET no ano passado, mais de 1.500 precisaram de percorrer distâncias com tempos de viagem superiores a três horas.

“Tal estimativa poderá revelar uma realidade não só incómoda para o utente, como poderá concretizar um custo de transporte considerável e um baixo nível de acessibilidade”, indica o estudo.

Segundo o coordenador do Programa Nacional das Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, os exames PET são um dos mais avançados atualmente e permitem avaliar a extensão da doença oncológica.

Um exame destes pode custar entre 500 e mil euros, segundo disse à Lusa o responsável.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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