Ainda há mutilação genital feminina na Europa

Incontinência urinária e infertilidade são das sequelas mais comuns

6 de fevereiro 2013 - 10h20



O Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina é hoje assinalado em todo o mundo, incluindo em Portugal, numa altura em que a Amnistia Internacional exige a ação da União Europeia para combater um flagelo que afeta mais de 500 mil mulheres e que coloca em risco outras 180 mil, só na União Europeia.



Depois de reunir 42.446 assinaturas de apoio, a campanha europeia da Amnistia Internacional para se adotarem medidas concretas para eliminar a mutilação genital feminina agendou uma iniciativa para dia 27, em Bruxelas, para exigir a ação da União Europeia.



A Amnistia Internacional recorda que 180 mil meninas vivem em risco de serem submetidas à mutilação genital feminina, só na Europa, onde se estima que vivam 500 mil mulheres afetadas pela prática.



A Amnistia está ainda preocupada com a possibilidade de as vítimas – adultas ou menores – não estarem a receber tratamento adequado na Europa, por falta de “linhas de orientação ou formação” sobre a proteção que lhes deve ser concedida.



Em Portugal, desconhece-se a dimensão do fenómeno. A base de dados sobre a matéria já foi elaborada pelos serviços de saúde, mas o tratamento da informação está ainda dependente de autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados.



Estima-se que 140 milhões de mulheres tenham sido submetidas à mutilação genital feminina em todo o mundo e que três milhões de meninas estejam em risco anualmente.



Lesões irreversíveis



A prática, que causa lesões físicas e psíquicas permanentes, é mantida em cerca de 30 países africanos, entre os quais a lusófona Guiné-Bissau, onde se estima que 50 por cento das mulheres sejam afetadas.



A mutilação genital feminina é feita de diversas formas: em algumas corta-se o clítóris, noutras os grandes e os pequenos lábios. Uma vez concretizada, é irreversível e se a vítima sobreviver irá sofrer consequências físicas e psicológicas permanentes.



Além do sofrimento que as mutiladas sente no momento do corte, o processo de cicatrização é acompanhado com frequência por infeções, devido ao uso de utensílios contaminados, e dores ao urinar e defecar. A incontinência urinária e infertilidade são outras das sequelas.



O facto de serem usadas as mesmas lâminas para mutilar várias crianças aumenta o risco de se contrair o vírus da SIDA.



Além da mãe, também os recém-nascidos podem sofrer com a mutilação. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa de mortalidade infantil é mais elevada em 55 por cento em mulheres que sofreram uma mutilação de tipo III (a infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal).



Nuno de Noronha

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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