Água de S. Pedro da Cova imprópria para consumo mas aceitável para rega

Concentração de ferro dissolvido presente na água é superior às 0,200 miligramas de valor limite
19 de junho de 2014 - 13h01



As águas subterrâneas na área das antigas minas de carvão de São Pedro da Cova, em Gondomar, são impróprias para consumo mas têm qualidade aceitável para a rega, concluiu a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).



“A água não se encontra própria para consumo humano”, refere o relatório sobre a “Avaliação do estado das águas subterrâneas” na zona onde se encontram depositados nas escombreiras das antigas minas 88 mil toneladas de resíduos perigosos, hoje divulgado à Lusa.



No entanto, o documento destaca que “a zona dispõe de infraestruturas de abastecimento público, pelo que a saúde pública não estará em risco”.



Os resultados da monitorização da qualidade da massa de água subterrânea “devem ser encarados como um ponto de partida, carecendo de um maior aprofundamento da sua análise, bem como de informação complementar, nomeadamente com a realização de novas campanhas de monitorização”, lê-se no documento.



De acordo com a APA, as análises à qualidade da água, realizadas pela agência durante o último trimestre de 2013, não revelaram a presença de metais pesados, como mercúrio ou zinco, que o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) identificou existirem no local, em 2011.



No entanto, comparando os resultados obtidos nas análises com os limiares normativos referentes às águas para consumo humano, os valores relativos à presença de sulfatos, ferro dissolvido, níquel dissolvido e azoto amoniacal ultrapassam os definidos na lei.



Em sete dos oito furos e piezómetros colocados naquela zona para a realização das análises, a concentração de ferro dissolvido presente na água é muito superior às 0,200 miligramas por litro estabelecidas como valor limite.



A amostra de água recolhida no furo que “apresenta os resultados mais diferentes de um hipotético valor médio regional” mostrou a presença de 270 miligramas de ferro dissolvido por litro, por exemplo.



Nas considerações finais, os técnicos da APA referem ser “de equacionar a possibilidade de alguns dos resultados estarem a ser influenciados pela [antiga] exploração mineira (o caso dos sulfatos ou do ferro, por exemplo) e menos por outra origem qualquer”.



Adiantam ainda que “não se vislumbra uma influência clara da massa de resíduos [provenientes da antiga Siderurgia Nacional, na Maia, e ali depositados] sobre os resultados analíticos agora obtidos”.



As minas de carvão de S. Pedro da Cova, cuja exploração global terminou em 1992, foram objeto de um projeto de requalificação ambiental das escombreiras, que contemplava a utilização dos resíduos de despoeiramento armazenados nas instalações da extinta Siderurgia Nacional, na Maia, como material de enchimento.



Após os estudos de 2011 realizados pelo LNEC demonstrarem que os resíduos ali depositados apresentam perigosidade, iniciou-se um processo para a sua remoção.



Há pouco mais de dois meses, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, deslocou-se ao local para assinalar a assinatura do contrato para a remoção das 88 mil toneladas de resíduos perigosos.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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