Agressões a médicos e enfermeiros mais do que duplicaram em 2012

Aumento de 171% dos crimes em relação a 2011
8 de fevereiro 2013 - 15h44



Os crimes contra profissionais de saúde foram os que mais aumentaram em 2012, no Distrito Judicial de Lisboa, em relação a 2011. Sindicalistas defendem que o aumento das agressões espelham o tipo de casos que mais atendidos.



Segundo um memorando do Ministério Público em matéria penal na área de Lisboa, foram registados 19 inquéritos a crimes por violência contra profissionais de saúde, no ano passado, mais 12 do que em 2011, significando um aumento de 171% em relação ao ano anterior.



Apesar de não ser um número muito elevado, os sindicatos destes profissionais já se tinham demonstrado preocupados com a escalada da violência contra médicos e enfermeiros, em novembro.



O chefe do posto da PSP no Hospital Amadora-Sintra, Luís Martins, afirmou que os médicos eram, até há pouco tempo, menos vítimas das agressões dos utentes, mas que isso tem vindo a mudar de uma forma acentuada.



A dirigente sindical Pilar Vicente, médica no Hospital de São José, em Lisboa, onde também existe um posto da PSP, diz que a postura dos utentes perante os profissionais reflete os casos que são atendidos: cada vez mais violentos.



“Verificamos isso através dos casos que entram pelas urgências: mais vítimas de agressão, de violência doméstica, facadas, tiros, etc”, explicou.



Para esta sindicalista da Federação Nacional dos Médicos, “à medida que se acentuam os problemas sociais, as pessoas tornam-se mais agressivas, bebem mais, têm maiores problemas económicos, grandes stresses e mais rapidamente recorrem à violência”.



“É um problema cívico, da própria sociedade, em que nós, os profissionais, apenas podemos tentar apelar a outro tipo de atitude”, adiantou.



Para Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, a violência contra estes profissionais não é nenhuma novidade, embora reconheça o aumento da sua gravidade.



A enfermeira atribui o aumento destes casos à “diminuição das suas condições económicas”.



“Já há muito que alertámos para as consequências que o agravamento da situação social iria ter na forma como os utentes e os acompanhantes tratam os enfermeiros”, disse.



Guadalupe Simões sublinha que os enfermeiros estão “na linha da frente dos serviços de saúde” e são, por isso, as maiores vítimas da intolerância dos utentes.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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