Afinal a homossexualidade é (mesmo) determinada pela genética

O maior estudo alguma vez realizado sobre o tema deita por terra o mito de que a orientação sexual pode ser uma escolha individual. Mas o debate está longe de estar encerrado...

Um novo estudo científico, divulgado publicamente hoje, analisou o código genético de 818 homens homossexuais e descobriu marcadores genéticos comuns. Ainda assim, os cientistas envolvidos na pesquisa ainda não conseguiram identificar a existência de um gene específico que determine essa condição. A investigação incidiu sobre 409 pares de irmãos gay e foi levada a cabo por uma equipa do NorthShore Research Institute, um organismo de pesquisa norte-americano.

Durante o processo, os investigadores ligações encontraram «muito claras» entre a orientação sexual masculina e duas regiões específicas do genoma humano, o que já levou Alan Sanders, o cientista principal que liderou o estudo, a dizer que as conclusões «deitam por terra a crença de que a orientação sexual é uma escolha». Três vezes maior em termos de amostra no que se refere a todos os estudos anteriores sobre o tema, o relatório final associa, em definitivo, as regiões genéticas Xq28 (identificada pela primeira vez em 1993) e 8q12 (descoberta em 2005), já referenciadas anteriormente em investigações distintas.

Alan Sanders sublinha, contudo, que não descobriu o gene que determina a homossexualidade e que alguns fatores externos podem influenciar o comportamento humano. A análise ao sangue e à saliva recolhida aos 409 pares de irmãos identificou ainda, além do Xq28 and 8q12, três polimorfismo de nucleotídeo único (SNP) comuns. «Sim, temos uma escolha na vida, a de sermos nós próprios ou de nos conformarmos com a ideia de normalidade dos outros», referiu ao The New Scientist, o neurocientista Simon LeVay.

«Ser hétero, bissexual ou gay, ou até mesmo nenhuma dessas coisas, é uma parte central do que somos, em parte graças ao ADN com que nascemos», acrescenta o especialista, que anteriormente já tinha concluído num estudo que desenvolveu que os homens homossexuais têm uma parte do cérebro mais pequena. «É difícil ficar entusiasmado com este tipo de estudos porque este tipo de explicações biológicas são como os iPhones. Há uma nova versão todos os anos», comentou já publicamente Samantha Allen, representante de um organismo promotor da comunidade LGBT.

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