Administrador do IPO Lisboa rejeita ensaios como alternativa de acesso a novos fármacos

Ensaios clínicos servem para fazer investigação clínica, defende Francisco Ramos
12 de maio de 2014 - 08h57



O administrador do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, Francisco Ramos, defende a realização de ensaios clínicos no âmbito da investigação, mas não como uma forma alternativa de acesso a novos medicamentos.



“Deve ser nesse âmbito [da investigação clínica] que deve ser encarada a realização de um ensaio clínico, e não como uma forma alternativa e barata de um medicamento ser disponibilizado aos doentes”, disse Francisco Ramos, em entrevista à agência Lusa.



O presidente do conselho de administração deste IPO recusa – e disse esperar que a generalidade dos hospitais públicos o continuem a fazer – a ideia de introduzir novos medicamentos através dos ensaios clínicos.



“Os ensaios clínicos não servem para introduzir novos medicamentos nos hospitais, servem para fazer investigação clínica, validar as premissas que esses novos produtos precisam de provar antes de serem utilizados na prática clínica”, adiantou.



“Se estamos perante uma situação de ensaio clínico, estamos numa situação em que um determinado medicamento está em fase de provar o que se propõe fazer. Deve ser nesse âmbito que deve ser encarada a realização de um ensaio clínico, e não como uma forma alternativa e barata de um medicamento ser disponibilizado aos doentes”, acrescentou.



Para Francisco Ramos, trata-se de “uma perspetiva errada e que cria uma falsa expetativa, porque ninguém pode afirmar que durante um ensaio clínico pode esperar um determinado resultado do uso desse medicamento”.



Para o administrador, “é muito importante separar essas duas coisas e não aceitar o argumento de que os hospitais públicos devem aderir aos ensaios clínicos como uma forma de poupar dinheiro. Essa é uma visão errada, distorcida e perigosa”.



“Ao pôr esse argumento em cima da mesa estamos a admitir que se deve proporcionar o acesso a determinados medicamentos a determinados doentes, antes desses medicamentos terem demonstrado essa eficácia”, concluiu.



Segundo Francisco Ramos, o IPO de Lisboa tem atualmente vários ensaios clínicos em curso.



Por Lusa



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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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