Abraço assinala 22 anos com campanha que alerta para a "nova geração VIH"

1,3 milhões de adolescentes morreram em 2012 devido ao VIH/Sida
4 de junho de 2014 - 13h05



A Abraço lança na quinta-feira uma campanha de sensibilização para pais, avós, amigos e familiares de jovens no sentido de os alertar para os cuidados que devem ter para prevenir o VIH/Sida, a segunda causa de morte nos adolescentes.



Lançada no dia em que a Abraço assinala o 22.º aniversário, a campanha “Toca a Todos” visa alertar para a “nova geração VIH”, sensibilizando a comunidade para a importância da prevenção do Vírus da Imunodeficiência Humana, mas também desmistificar a doença, minimizar o estigma e a exclusão social.



Em declarações à agência Lusa, o presidente da Abraço, Gonçalo Lobo, explicou que o mote da campanha teve como base os últimos dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde, segundo os quais 1,3 milhões de adolescentes morreram em 2012 devido ao VIH/Sida, que é já a segunda causa de morte nesta população, sendo a primeira os acidentes rodoviários.



Embora os dados sejam pouco favoráveis e a taxa de prevalência se situar sobretudo na faixa etária entre os 15 e os 17 anos, o número de mortes em adolescentes desceu em 12% a nível mundial, comparando com os dados de 2000.



Para Gonçalo Lobo, estes números têm “duas leituras”: “Por um lado, a medicação já é suficientemente eficaz que consegue fazer com que as crianças nos países subdesenvolvidos consigam atingir o estado de maturidade da adolescência, mas, por outro lado, ainda existe uma grande escassez no acesso à medicação que faz com que as crianças venham a falecer na adolescência”.



Em Portugal, a taxa de prevalência mais elevada nos adolescentes é entre os 15 e os 17 anos, refere a associação, sublinhando que “existe uma necessidade cada vez mais emergente em sensibilizar pais, mães, avós, amigos, familiares para alertarem os mais novos para os cuidados que devem ter”.



“Estamos a falar de adolescentes que iniciam a sua vida sexual e que, muitas vezes, nunca tiveram uma intervenção precoce no sentido da vivência da sua sexualidade”, adiantou Gonçalo Lobo.



“Continuamos a ter raparigas que fazem sexo desprotegido porque não conseguiram dizer que não e continuamos com rapazes que colocam muito a relação na questão da masculinidade, da virilidade e da imposição”, sustentou.



Para Gonçalo Lobo, estas questões devem ser trabalhadas desde muito cedo junto das crianças: “Tem se ser explicado o que é a vontade e o desejo de cada um e como nos podemos posicionar relativamente a isso”.

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