A crise aumentou número de doenças mentais na Grécia

Suicídios aumentaram 43 por cento no período entre 2007 e 2011 na Grécia
3 de fevereiro de 2014 - 12h40



De acordo com um estudo do Instituto Universitário de Investigação em Saúde Mental da Universidade de Atenas, em 2013, mais de 12 por cento dos gregos sofrem transtornos depressivos graves, o que representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2011, quando a doença afetava 8,2 por cento da população.



O relatório confirma investigações anteriores efetuadas pela mesma universidade e que registaram um aumento contínuo e "alarmante" das depressões na população grega, desde os 3,3 por cento registados em 2008, aos 6,8 por cento em 2009 e aos 8,2 por cento em 2011.



Mais de metade das pessoas que atualmente consultam um psiquiatra, na Grécia, "são vítimas da crise", afirma o especialista Theodoros Megaloikonomu, um psiquiatra que pretendeu provar que a crise não só deixou sem trabalho e sem casa mais de um milhão de pessoas no país, mas que também está a afetar a saúde mental dos cidadãos.



A ansiedade, a depressão, os ataques de pânico e os transtornos obsessivo-compulsivos são as principais desordens de saúde mental, segundo o ministério grego da Saúde. O ministério, segundo a agência EFE, afirma, no entanto, que não dispõe de dados fidedignos sobre a incidência de problemas económicos dos últimos anos, na saúde mental dos gregos, apesar de reconhecer que, "provavelmente, a crise financeira aumentou a angústia e a ansiedade entre a população".



O estudo da Universidade de Atenas conclui que os grupos mais afetados pelas depressões clínicas são as mulheres entre os 35 e os 44 anos, e o grupo feminino entre os 55 e os 64 anos, as pessoas com estudos básicos, os desempregados e aqueles que não conseguem rendimentos superiores a 400 euros.



Outro fator que é considerado importante para a incidência de doenças mentais é a perda da habitação.



Na Grécia, um país com 11 milhões de habitantes, calcula-se que entre 20 mil a 40 mil pessoas perderam a casa. A maioria sofre de doenças mentais, segundo Megaloikonomu, diretor do Departamento de Psiquiatria do Hospital Público Dafní, em Atenas.



Megaloikonomu relaciona os casos crescentes de transtornos mentais com o número de suicídios, que aumentaram 43 por cento no período entre 2007 e 2011, segundo dados oficiais, apesar de o psiquiatra considerar que, na realidade, o número é muito superior, pois muitos suicídios são encobertos pelas famílias, por motivos culturais e religiosos.



Além do aumento dos casos, o ambiente em que os especialistas trabalham é cada vez mais difícil, por causa dos cortes orçamentais.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários