500 mil pessoas ficam incapacitadas anualmente devido a lesões na medula

90 por cento das lesões devem-se a "causas traumáticas" como acidentes de viação

2 de dezembro de 2013 - 15h01

Cerca de 500 mil pessoas ficam incapacitadas anualmente devido a lesões na medula espinal, revela um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala terça-feira.

O estudo, apresentado hoje em Genebra, é o primeiro elaborado a nível mundial sobre esta área da saúde.

"A lesão espinal é uma condição muito complexa do ponto de vista médico e com forte impacto na vida diária dos doentes", afirmou em conferência de imprensa o diretor do departamento de Violência e Prevenção de Lesões e Incapacidades da OMS, Etienne Krug.

Segundo o estudo, cerca de 90 por cento das lesões devem-se a "causas traumáticas" como acidentes de viação, quedas de grandes alturas ou violência, embora se registem variações segundo as regiões.

Em África, por exemplo, 70 por cento das lesões da medula espinal devem-se a acidentes de viação, valor que na região do Pacífico Sul e na Oceânia cai para 55 por cento, enquanto no sudoeste Asiático e na zona do Mediterrâneo Oriental as quedas de grandes alturas representam cerca de 40 por cento dos casos.

No caso das lesões não traumáticas, as principais causas são os tumores, a spina bífida e a tuberculose, doença que na África Subsaarianeções urinárias, ulceras ou complicações respiratórias.

Além das consequências físicas, como a incapacidade ou a dor crónica, as lesões medulares têm também repercussões emocionais, já que 20 a 30 por cento destas pessoas mostram "sinais de depressão clinicamente significativos", indicou a coordenadora de incapacidades e reabilitação da OMS, Alana Officer.

O relatório sublinha que para as crianças com estas lesões é menor a probabilidade de iniciarem um percurso escolar e, uma vez inscritos, têm menos possibilidade de progredir, enquanto os adultos com lesões medulares registam taxas de desemprego globais de mais de 60 por cento.

Alana Officer alertou ainda para o facto de muitas das consequências que resultam das lesões não derivarem diretamente da lesão, mas "da falta de atenção médica adequada no momento do acidente e no tratamento de reabilitação posterior, bem como das barreiras físicas e sociais que excluem estas pessoas da sua participação nas comunidades".

"Um diagnóstico rápido, a estabilização das funções vitais, a imobilização da medula para preservar as suas funções neurológicas e o controlo sanguíneo e a temperatura corporal são cuidados que os lesionados devem receber no prazo de duas horas após o acidente", recordou a OMS.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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