120 mil pessoas vacinaram-se contra a gripe na primeira semana da campanha

Dados revelam que foram vacinadas 55,3% das pessoas com 65 ou mais anos

11 de outubro de 2013 - 17h00

Na primeira semana de vacinação contra a gripe, foram vacinadas 120 mil pessoas no Serviço Nacional de Saúde, mais 30 mil relativamente ao ano passado, revelou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

“As vacinas foram recebidas atempadamente no Serviço Nacional de Saúde (um milhão) e nas farmácias (800 mil)” e, entre 01 e 06 de outubro, já foram administradas 120 mil doses, avançou a médica de saúde pública da DGS Paula Valente no encontro “Vigilância Epidemiológica da Gripe em Portugal”, que decorreu no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Em declarações à agência Lusa à margem do encontrou, a subdiretora-geral da Saúde considerou estes números “um bom indicador” para a cobertura vacinal na época gripal 2013/2014.

“Estamos satisfeitos, houve um crescimento, não tivemos grandes reclamações no sentido de haver grandes falhas. Há falhas que são pontuais e resolúveis”, adiantou Graça Freitas.

Graça Freitas explicou que, este ano, as autoridades de saúde tiveram “tempo para preparar tudo e quando a época gripal se iniciou o contingente de vacinas de farmácias e do SNS estava todo disponível”.

“Neste momento há uma continuidade de vacinas”, disse, lembrando que, no ano passado, houve interrupções no fornecimento e isso “foi negativo”.

Para este ano, prevê-se “uma época mais pacífica, melhor para os cidadãos, que não vão ter de se defrontam com interrupções no fornecimento”, sustentou.

“Esperamos que a campanha corra melhor do que a do ano passado e as nossas expectativas, pelo menos na primeira semana, já se confirmaram porque temos mais 30.000 pessoas vacinadas no SNS, o que nos deixa contentes”.

Vacinação contra a gripe no domicílio

Para uma maior cobertura vacinal a DGS recomendou aos centros de saúde a vacinação contra a gripe no domicílio, sobretudo para os idosos que não se podem deslocar.

Segundo Graça Freitas, os centros de saúde já estão organizados, nalgumas zonas mais do que outras, para fazer visitação domiciliária.

Também as equipas de enfermagem das unidades de saúde local quando se dirigem a casa de um doente para prestar cuidados domiciliários aproveitam para vacinar o utente.

Fazendo um balanço da época gripal passada, Paula Valente adiantou que houve um “aumento ligeiro” da cobertura vacinal das pessoas com 65 ou mais anos, uma subida nos grupos de risco e uma redução nos profissionais de saúde.

Segundo os dados divulgados hoje, foram vacinadas 55,3% das pessoas com 65 ou mais anos.

Nos Agrupamentos dos Centros de Saúde, vacinaram-se 42% dos profissionais de saúde, número que desceu para 25% nos hospitais e para 24% nos funcionários da Rede Nacional de Cuidados Continuados.

O pneumologista Filipe Froes lamentou a pouca adesão dos profissionais de saúde à vacinação, sublinhando que estes “são vítimas”, mas também “vetores de transmissão da doença às pessoas mais fragilizadas”.

Sobre esta situação, Graça Freitas disse que “a vacinação não é obrigatória”, mas considerou que tem de haver uma consciencialização por parte da entidade empregadora, mas que “não se pode coagir” as pessoas.

“As baixas coberturas dependem dos hospitais, das unidades de saúde e dos profissionais de saúde estarem ou não sensibilizados” para a vacinação, acrescentou.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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