Treino de Isolamento Muscular vs. Treino Funcional

A primeira pergunta que temos que fazer quando se desenha um programa de treino é: Qual é o objetivo do programa?

“Se treinamos músculos, esqueceremos movimentos, mas se treinamos movimentos nunca esqueceremos músculos.”

Nick Winkelman

Em muitos programas de fitness / preparação física ainda existe a cultura do body building, isto é, a perspetiva que treinar os músculos de forma isolada é a única forma de trabalhar no ginásio.

A primeira pergunta que temos que fazer quando se desenha um programa de treino é: Qual é o objetivo do programa? Melhorar o rendimento?

Ganhar mais músculos? Ganhar mais músculos não vai de certeza aumentar o rendimento se eu não for capaz de os utilizar de uma forma coordenada num determinado movimento.

Não é o facto de ter uns quadriceps grandes, trabalhando na Leg Press, que vai fazer com que corra mais rápido ou chute com mais força. Há muitas mais coisas em jogo.

O único resultado seguro que vou obter ao fazer essa máquina é desenvolver os quadricípites de forma desintegrada dos principais movimentos atléticos e não só.

A Leg Press não tem nada a ver com a forma como usamos as nossas pernas, que se destinam a nos manter em pé contra a gravidade, enquanto nós caminhamos, escalamos ou corremos.

À medida que andamos, existe uma rotação do fémur sob a rótula mas ao fazermos esta máquina, verificamos uma rotação da rótula “sobre” o fémur.

A mecânica da Leg Press, além de não simular aquilo que acontece quando andamos, corremos ou descemos escadas, pode colocar também demasiada pressão sobre o joelho e sobre os ligamentos.

Em suma, a máquina promove força que não é ADAPTÁVEL. Não há exigências significativas do âmbito motor (leia-se inter-relação entre o sistema nervoso e muscular) na máquina de Leg Press, basta empurrar! Na vida real, as pessoas precisam de andar, de se equilibrar numa perna e de usar as ancas e os glúteos.

Por exemplo, se o objetivo é melhorar a capacidade de uma pessoa em levantar-se do sofá, o agachamento vai ter um transfer maior que a máquina supracitada.

Lembrem-se: o nosso cérebro pensa em movimentos, não pensa em músculos isolados.

Até breve e não se esqueçam de deixar os vossos comentários!

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