Correr sim, mas com cuidado

Partida, largada, fugida… Plano de treinos, exames médicos e alimentação cuidada... A moda pegou. Não só em Portugal mas em todo o mundo. E, hoje, as ruas das cidades ganharam novos habitantes. Mas é preciso cautela.
créditos: AFP

Os runners são uma "tribo" que não tem idade, género ou classe económica definida. Movem-se pela paixão de correr e pela superação de objetivos pessoais. Uns mais simples, outros mais arrojados.

Os objetivos podem passar por conseguir pela primeira vez correr cinco quilómetros seguidos. Ou dez. Ou vinte. Ou a tal maratona. Aos runners não interessa em que lugar se fica na tabela. O que interessa é correr mais e melhor do que no dia anterior. E as metas são sempre uma vitória.

A questão é que, ao serem puros amadores, pessoas como nós que de um dia para o outro se "lembraram" de começar a correr, muitas vezes não fazem sequer ideia dos perigos que o corpo humano enfrenta enquanto corre. Aliás, como em qualquer outro desporto.

Resolvemos ajudar e falámos com alguns especialistas por forma a perceber como devemos encarar o desporto e a corrida e como nos devemos preparar. Uma coisa parece certa: há que encarar tudo com algum respeito.

Adaptar programas de treino

Mário Espiga Macedo, especialista em Cardiologia e Medicina Interna no Hospital Lusíadas Porto, admite que começar a correr e pensar desde logo em participar numa maratona deve ser posto de lado. Será que correr 42 quilómetros é mais saudável e traz mais benefícios para a saúde? Obviamente que não. "A realização de uma corrida de 42 quilómetros não é a mesma coisa para um jovem de 20 anos habituado a fazer algum exercício e com certeza com um peso ideal ou para uma pessoa de meia-idade (55 anos) com pouca ou nenhuma prática de exercício, obeso e com outros vários problemas de saúde", explica o médico.

Vale a pena saber que a frequência cardíaca máxima para um jovem de 20 anos são 200 batimentos por minuto e que 80% dessa frequência máxima são 160 bat./min.

Mas se falarmos num indivíduo de 55 anos, a sua frequência máxima é de 165 bat./min. e 80% são 132 bat./minuto. "Como se pode ver, estamos a falar em realidades completamente diferentes. A isto devemos acrescentar que enquanto a prevalência teórica de doença cardíaca no jovem é desprezível, já no indivíduo de 55 anos ela é bastante significativa".

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