Ansiedade: o que posso aprender com ela?

O processo ansioso é, por si só, uma fonte de sofrimento para muitas pessoas. Claro que existe uma ansiedade ligada ao momentos bons e que nos leva a ansiá-los com um sorriso nos lábios. Mas hoje vou-me dedicar à ansiedade negativa, aquela que nos impede de viver satisfatoriamente.

Passamos grande parte do dia a pensar que temos de fazer uma dada tarefa e/ou que a devíamos ter feito e não conseguimos parar este piloto-automático incessante. Por falar nisso, há quanto tempo não consegue parar, apenas parar uns minutos que sejam?

Se o tem feito regularmente, é um sinal muito positivo. Quer dizer que tem aproveitado o que lhe dá prazer e quem o faz sentir bem, que tem feito escolhas no sentido da sua satisfação e contribuindo para a de outros, que tem conseguido aproveitar o momento presente, que tem feito “companhia de qualidade a si mesmo/a”, que se tem aceite incondicionalmente e sem se criticar demasiado.

A questão é que muitas pessoas não conseguem fazer tudo isto. Muitas mesmo e o ritmo do mundo global em que vivemos não ajuda mesmo nada. Como se alguém ansioso “pegasse” a sua ansiedade àqueles que com ele vivem ou trabalham (e como se a pessoa pouca ansiosa se sentisse deslocada até). Pensamentos frequentes e tendencialmente negativos, tensão física e dor, vontade de explodir e impulsividade (talvez por guardar tanto dentro de si…), dificuldade em ter um sono descansado, dificuldade em respirar, sistema imunitário fragilizado, sensação de incapacidade e de descontrolo de si mesmo/a e do mundo que o/a rodeia, troca de oportunidades de lazer por momentos de responsabilidade, isolamento social, esquecimentos e falta de concentração, tabagismo, consumo de álcool e por ai adiante. São estes alguns dos principais efeitos da ansiedade e que procuramos, a todo o custo, parar sem conseguir.

Sim porque estamos programados para fugir à dor, não queremos sofrer. E se temos um pensamento negativo, vamos tentar contrariá-lo e se sentimos uma emoção desconfortável, vamos tentar trocá-la por uma outra mais prazerosa (nem que seja porque é mais bem aceite pelos outros ou porque é “suposto”). A questão é que é precisamente esta luta interna que cria a maior parte da ansiedade – conseguimos até ficar ansiosos por repararmos que estamos ansiosos!

Então o que fazer?

A ansiedade é uma resposta natural do nosso organismo, tirando em perturbações de personalidade específicas e que a geram por si mesmas. No fundo, podemos ver a resposta ansiosa como um barómetro de como anda a nossa vida. Por exemplo, se faz muitos “fretes” fica ansioso/a, se tem dificuldade em dizer “não” fica ansioso, se não descansa e apenas trabalha fica ansioso/a, se vive para cuidar dos outros fica ansioso/a, se não cuida de si fisicamente fica ansioso/a, se a vida está demasiado imprevisível fica ansioso/a, se tem uma doença fisiológica ou suspeita de a ter fica ansioso/a, se não se sente valorizado/a pelos outros fica ansioso/a, se não tem investido no seu desenvolvimento pessoal e académico fica ansioso/a, se alguém de quem gosta está a passar um momento complicado fica ansioso/a. Ou seja, a ansiedade diz-nos quando há necessidade de procedermos a equilíbrios, a mudanças com vista ao preenchimento das nossas necessidades emocionais e físicas. A partir do momento em que o fazemos, a ansiedade começa a baixar e conseguimos aproveitar melhor cada momento, cada pessoa, cada conquista. Se não o conseguirmos de todo, um psicoterapeuta pode ajudar.

Aqui fica a minha sugestão: aprenda com a sua ansiedade, repare em que momentos ela aparece e o que ela lhe poderá estar a dizer. Em seguida, faça escolhas e tome decisões sempre que lhe for possível e em direção ao seu bem-estar. Está no seu inteiro direito.

Luís Gonçalves

Psicólogo clínico e psicoterapeuta

www.psinove.com

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