Uma descoberta no trabalho

Éramos sempre uns 10 ou 12 a almoçar, em redor do balcão da copa. Trabalhávamos no mesmo local, mas não juntos. Explico melhor: cada um tinha a sua atividade enquanto freelancer, uns eram programadores, outros designers, fotógrafos, tradutores...

Enfim, havia ali uma panóplia de profissões e ambições que era digna de se ver. Havia quem lhe chamasse um sinal dos tempos, esta necessidade de os freelancers se juntarem a trabalhar num mesmo local, uma espécie de grande escritório com o nome pomposo de cowork.

O SOM PARA ESTE MOMENTO

Para mim, era uma simples necessidade de convívio humano. Trabalhar em casa pode ter o seu quê de conveniente, mas ao fim de algum tempo torna-se mesmo muito aborrecido. Com quem partilhamos novidades ou falamos daquele projeto que acabámos de iniciar? Precisava desesperadamente desse lado humano.

Durante a hora de almoço, éramos como uma grande, feliz e ruidosa família, onde com frequência se falavam diferentes línguas. Todos traziam uma iguaria na lancheira. E se uns se limitavam a saborear os restos do jantar da noite anterior, havia quem se esmerava verdadeiramente no pitéu para o almoço.

Era o caso do Stefan, um alemão tão louro quanto bem-humorado, que tinha descoberto há um par de anos a alimentação vegetariana. Da lancheira do Stefan saíam sempre uns cheiros maravilhosos, e no prato era um festim de cores e texturas, massas integrais, vegetais e sementes.

Um dia, quando eu me esqueci do almoço em casa, o Stefan partilhou alegremente a sua refeição comigo. Quem diria que, atrás de uma lancheira com odores tão apetitosos, eu iria encontrar a pessoa que mudaria a minha vida? É que, com um sorriso que não deixava margem para dúvidas, convidou-me para jantar em sua casa. Ele trataria do jantar. Eu só tinha de aparecer. E apareci.

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