Lisboa: No EatFish o peixe tem camarote de honra e a carne não é visita

O novo restaurante de peixe em Lisboa dispensa os lugares comuns à mesa. O peixe é tratado com afeto, mas sem o paternalismo nacional do “só é bom grelhadinho”. Atum, espadarte, corvina também são bons em ceviche, tártaro e carpaccio. E os acompanhamentos estão à altura.

Num país que é de mar, de pescadores (estes, cada vez menos) e onde se apregoa o bom peixe, sabe bem pegar-lhe e prová-lo numa outra perspetiva e não somente apregoar as virtudes do grelhadinho na brasa e da caldeirada. Não é que seja de desmerecer uma e outra formas de confecionar o peixe. Mas a cozinha também se faz de contributos e de trocas e mesmo os mais asserimos defensores do purismo nacional à mesa terão de admitir que a batata e o tomate, que tão bem caem na caldeirada, chegaram a terras lusas importados das américas.

Em Lisboa abriu recentemente na Travessa de São Paulo, um restaurante que traz um contributo a esta abordagem fora da caixa ao peixe nacional. O restaurante chama-se EatFish e pelo nome de batismo depreende o comensal o que aqui vai encontrar. O peixe tem camarote e a carne não tem lugar na carta, nem nos lugares de visitante. O restaurante com perto de 40 lugares, instalado num prédio recentemente restaurando junto à igreja de São Paulo, apresenta um visual vintage, orquestrado por um coletivo de arquitetos. Requinte quanto baste, porque a ementa é descontraída e a zona, bem próximo do Cais do Sodré, também pede uma mesa fresca e solta.

Lisboa: No EatFish o peixe tem camarote de honra e a carne não é visita
Espaço concebido pelo arquitetos Pedro Ricciardi, João Regal e Hilária Neto.

Atum dos Açores, corvina e espadarte do alto mar e salmão compõem os básicos da carta. A aposta deste EatFish não está na muita variedade de peixe, mas na qualidade e originalidade das confeções. Ceviches, carpaccios, tártaros, tataki saem da cozinha orientada pelo chefe Carlos Soares, homem com experiência nas cozinhas do Vila Joya no Algarve e no espaço Tartar-ia, no Mercado da Ribeira.

“O nosso conceito assenta na cozinha saudável e, em conformidade, criámos uma ementa que respeita este ideal”, sublinha o empresário Vasco Oliveira, com um currículo que inclui a administração da Fábrica de Chocolates Imperial e a criação das marcas de café Buondi e Indy. Aqui, neste EatFish, Vasco Oliveira entra em parceria com o Grupo Portugália, apostado nestes últimos tempos em acrescentar aos seus espaços com pendor mais cárnico, opções orientadas para os produtos do mar e onde se incluem o Segundo Muelle e o La Gamba.

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Tártaro de corvina.

À mesa vão chegando duas entradas. Um Húmus de grão de beterraba (1,50 euros) e um Creme de cogumelos tartufado (2,00 euros). Um apurar dos palatos para os sabores frescos e cítricos que se seguem. Tocamos, aqui, no ponto que abriu a reportagem. O da abordagem diferente ao peixe, tirando-lhe ao sabor outras dimensões de degustação. Da carta deste EatFish escolhemos um carpaccio de corvina (8,00 euros com a opção meia dose por 4,00 euros) e um tártaro de atum (10,00 euros com meia dose por 5,00 euros). O preço é uma agradável surpresa dado o cuidado na preparação e apresentação do prato. “Mantemos preços acessíveis. Não queremos que este seja um impedimento para o consumidor degustar um peixe fresco, num conceito inovador”, refere Vasco Oliveira que, nos garante, tratar-se de uma política de preço para manter, não apenas estratégia de inauguração do espaço.

Lisboa: No EatFish o peixe tem camarote de honra e a carne não é visita
Tataki de atum com molho Kisami.

Convém, aqui, chegados, à carta propriamente dita, um breve esclarecimento sobre do que se trata quando falamos de carpaccios, ceviches e tártaros. O primeiro é algo tão simples (ou complexo) como cortar fatias muito finas de peixe fresco e temperá-lo, por exemplo, com azeite ou limão. Já o tártaro é confecionado a partir de uma boa peça, por exemplo, de peixe cru, cortada em cubinhos e temperada. No tempero há inúmeros caminhos; com molho inglês, molho tabasco, gema de ovo. Já o ceviche, apesar de a peça ser cortada crua, é marinada algum tempo num elemento cítrico que a cozinha.

Nas propostas do EatFish cai um trio de combinações em cada uma destas opções de preparação. Tantas quantos os peixes que entram na carta, o salmão, o atum e a corvina. O comensal tem ainda, a oportunidade de ter no prato uma opção tripartida entre todos os peixes (15,00 euros).

Lisboa: No EatFish o peixe tem camarote de honra e a carne não é visita
Trio de carpaccio.

Uma carta que também se faz com quentes. “Até ao momento os grelhados e assados compõem sensivelmente 52% dos pedidos à mesa”, refere Vasco Oliveira. Uma vez mais, os mesmos protagonistas no que concerne ao peixe. Neste caso cabendo no prato dois entre os cinco acompanhamentos existentes na casa. No caso vertente, provámos um Puré de batata wasabi, bastante expressivo no sabor, dado o acrescento do tempero nipónico; e Legumes assados, remetendo-nos para outras latitudes gustativas, nomeadamente o ratatouille. Acompanharam um tataki de atum, lombo grelhado no ponto certo. E qual é este? Dizem os mestres japoneses que no tataki (ou tosa-mi) a carne do peixe deve ser selada, ou seja, grelhada breve mas energicamente na chapa. O resultado é uma tosta exterior e um interior quase cru. Assim se apresenta este tataki versão EatFish. Acresce que aos acompanhamentos, o cliente tem a oportunidade de juntar dois molhos, do elenco de cinco do restaurante: Azeite e salsa, Kisamo, Sésamo, Teriyaki, Chutney de coentros. Nestas opções mais robustas os preços oscilam entre os 12,50 euros e os 13,00 euros.

Lisboa: No EatFish o peixe tem camarote de honra e a carne não é visita
Trio de chocolate.

Para fechar, e no que respeita à boa arte da gula, seguimos o conselho de Vasco Oliveira. “Sou fã deste trio de mousses de chocolate”, refere. E com razão, a sobremesa preparada pelo chefe Carlos Soares tem tudo para convencer os palatos gulosos. Na apresentação, dispensando a tão gasta tacinha onde se verte a mousse. Na originalidade das combinações de chocolate sobrepostas e no refinado acabamento com chocolate granulado. A acrescentar ao rol de sobremesas, o Tártaro de frutas e o Crème brûlée de baunilha. O preço de 3,00 euros é transversal a todas as opções.

A não desmerecer, igualmente, a carta se sumos naturais, aperitivos e cocktails, bebidas espirituosas e uma dúzia de referências nos vinhos, com predominância do Douro e do Alentejo.

Contas feitas, a refeição fica, em média, nos 18,00 euros por pessoa.

EatFish

Travessa de São Paulo, 11, Lisboa
Horário: todos os dias das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00.
Telefone: 210 996 317
Email: spaulo@eatfish.pt

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