Cascais Kitchen: Oito variações em torno da cozinha com travo caseiro

Situa-se na praça de alimentação de um centro comercial, mas convence-nos de que estamos num mercadinho de rua. Estes oito quiosques, com oferta diversa, apresentam-nos um travo de cozinha caseira. No Cascais Kitchen há propostas para palatos mais conservadores e para apetites ousados.

Façamos esta entrada no Cascais Kitchen, o novo espaço de restauração do Cascais Shopping, através do olhar da família Andrade. É fim-de-semana e o pai, a mãe, o filho de 15 anos e os avós decidiram compatibilizar umas compras com um almoço domingueiro. A escolha não foi consensual. Os avós não são muito dados a comida de tabuleiro. O jovem não nega a comida de centro comercial. Os pais seguem dietas nos antípodas gustativos. Resumindo. Aos patriarcas da família cairia bem um peixe grelhado, afinal de contas estamos em Cascais e não são as paredes do shopping que abatem a convicção dos sabores da beira-mar. Já a mãe está rendida à cozinha com sabor nipónico. O pai, por seu turno, é cárnico e, de preferência, acomodando no prato sabores regionais. Para fechar o elenco, o jovem gosta de viajar por petiscos transalpinos. Derrete-se com uma Pasta.

Temos todos os ingredientes para uma petit revolução de domingo? Talvez não. A equipa que engendrou e concretizou este Cascais Kitchen traz no currículo a experiência de um outro espaço polivalente na função alimentar, o Mercado de Campo de Ourique, em Lisboa. Aqui, na amadurecida área de restauração do Cascais Shopping, mais de 1000 m2 foram convertidos num espaço com uma intenção, arrancar-nos ao lugar-comum de área de restauração de centro comercial e integrar-nos num mercado tradicional com uma oferta diversa e complementar. Uma assinatura personalizada, nos materiais e disposição dos elementos. Comer também encerra uma dimensão cénica. Por alguma razão não somos alheios à decoração dos restaurantes. Aqui, neste Cascais Kitchen não esquecemos as pérgulas com folhagem, os vasinhos mimosos, as mesas em madeira, as cadeiras de diferente feição e com um toque rústico, um ambiente acolhedor, não obstante o espaço poder acomodar algumas centenas de comensais.

Cascais Kitchen: Oito variações em torno da cozinha com travo caseiro
créditos: Cascais Kitchen

Os avós Andrade não torceram o nariz e até esquecem a questão tabuleiro. Passo dois, compatibilizar gostos tão díspares. Peixe, carne, sushi, pasta. A fórmula tem inúmeras parcelas e exige resultado certo mesmo depois da prova dos nove. Neste caso não nove, mas oito conceitos à prova, todos com imagem personalizada e procurando derrubar outra ideia feita sobre comida de balcão. No Cascais Kitchen o atendimento faz-se em oito quiosques individualizados. Nada de guichés engordurados. As ementas expressam a oferta: Marisco e peixe na “Malha”, petiscos na “Alhos e Bugalhos” (saladinha de polvo, tábua de queijo e enchidos, brás de alheira), carnes na “Carniceria”, cozinha italiana no “Envolto”, sushi na “Tasca Japonesa”, saladas na “Saladaria Vitacress”, “Cheirinho” para o café, chá, sumos naturais. Não passa despercebida a carrinha retro estacionada, o “Docicário”, com oferta de gelados e crepes da tradicional casa Artinasi.

Está visto que para os Andrade a escolha não vai ser difícil. No “Malha” há um clássico, o Prego de atum de cebolada em bolo do caco. É aromatizado com uma dupla infalível, o tomate seco e o manjericão. Igualmente a não desmerecer a dourada grelhada com um arroz de tomate bem malandrinho. Para gostos mais telúricos (o pai), a “Carniceria” oferece uns belos cortes de carnes grelhadas de ovino e suíno, servidos no prato ou no bolo do caco. Não faltam as batatinhas fritas, daquelas estaladiças à dentada. Adiante e pulando da cozinha regional portuguesa para outros meridianos, temos a mãe Andrade para servir. O Japão soma e segue por terras lusas e, neste particular, o Ocidente encontrou o Oriente através do sushi. Na “Tasca Japonesa” os apetites saciam-se neste “risoto japonês” de peixe fresco. Futomaki, Temaki, Temaki não são personagens de banda desenhada Manga, são tipos de sushi enrolado e encontramo-los neste espaço dedicado à cozinha do “País do Sol Nascente”.

Cascais Kitchen: Oito variações em torno da cozinha com travo caseiro

Para o jovem Andrade, ávido por sabores meridionais, uma visita ao balcão do “Envolto” não carece de discussão. A escolha, hoje, não recai na Pasta fresca produzida e confecionada de raiz, antes num risoto de gambas. Está apurado, caudaloso sem resvalar para o espapaçado. Sabe a cozinha de restaurante (é um restaurante) embora na praça de alimentação de um centro comercial.

E porque almoço de domingo pede extra e partilha, os Andrade têm acordo em torno de um prato comum: waffles com os gelados artesanais da Artisani que aqui dá a provar oito sabores diferentes.

Na prática, este Cascais Kitchen funciona um pouco como o parente que aparece para o casamento, a destoar, em mangas de camisa, mas com estilo e descontração. Vem refrescar os conceitos um tanto ou quanto gastos da oferta de restauração no grande consumo. Acresce que este Cascais Kitchen junta à oferta alimentar um programa de worshops, show cooking, entre outros eventos culturais.

Cascais Kitchen: Oito variações em torno da cozinha com travo caseiro
créditos: Cacais Kitchen

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