Restaurante: À beira Tejo onde aquecem as brasas o tamanho é qualidade

“Tamanho não é qualidade” é lugar-comum que pode ser contradito. Neste caso à beira Tejo e quando sobre a mesa assenta uma senhora peça de bacalhau assado com mais de um quilo. Acresce um Costeletão de igual pujança. A casa é a DOC COD, com uma carta cheia de brasas.

Se há paixão lusa inalienável à mesa, essa é por certo a que nutrimos nestas ensolaradas terras meridionais pelo “fiel-amigo” das águas frias do Norte atlântico. Convenhamos que Gadus morhua não é nome particularmente simpático, como também não é o cenho do peixe em questão. Dois factos que pouco nos interessam porque mandam os bons hábitos portugueses que chamemos ao amigo em apreço Bacalhau e que o queiramos em peça de três bicos, com boa cura, firme na carne, de cor amarela palha e longe de humidades. Vai, depois, a boa demolha cuidar do milagre, de hidratar esta carne e de a preparar para as inúmeras confeções que o engenho nacional concebeu. Em Lisboa, quem procura um bacalhau que faz no prato justiça ao que dele queremos no nosso ideário gastronómico, encontra-o nas “Docas”. Não propriamente dentro da doca, mas antes à beira dela, em casa com um ano de existência e que faz do nome DOC COD acrónimo para duas características que lhe marcam a feição.

Restaurante: À beira Tejo onde aquecem as brasas o tamanho é qualidade
créditos: Paulo Castanheira

DOC de “Docas”, ou melhor da lisboeta Doca de Santo Amaro, a poucos metros do marulhar do Tejo e a encostar a existência a um dos símbolos da capital, a Ponte 25 de Abril. COD, como já se percebe na introdução à presente peça, a designação de bacalhau na universal língua inglesa. Fácil de assimilar para português e estrangeiro até porque esta zona, à beira rio, é ponto de passagem para uns e para outros. Este DOC COD é casa imponente, espaço para 200 lugares, entre sala e duas esplanadas, uma delas coberta. Como imponente também é uma das duas grandes propostas da carta – já iremos à segunda -  e que é assumida pela equipa do DOC COD como “o melhor bacalhau assado de Lisboa”.

Restaurante: À beira Tejo onde aquecem as brasas o tamanho é qualidade
A posta de bacalhau com mais de um quilo, assumida pela equipa do DOC COD como "a melhor de Lisboa".

Um bacalhau (39,00 euros) mimado sobre carvão e lenha de azinho que chega à mesa em postas com mais de um quilo. Isso mesmo, para cima de 1000 gramas de “fiel-amigo”, lascando, como reza a cartilha, com um quanto baste de pele tostadinha e crocante, uma boa rega de azeite e alho, batatinha a murro também assada, grão-de-bico cozido e uns grelos de couve de comer e pedir mais. Não, não é “enfarta-brutos” é uma travessa para ser partilhada por três pessoas como nos conta André Março. É o responsável por este DOC COD quem nos elucida sobre o tratamento de primeira que recebem estes bacalhaus da Noruega de “tamanho Jumbo, com cerca de cinco quilos cada. Somos nós que o demolhamos em cubas próprias, 60 quilos de cada vez”. É muito bacalhau considerando que “vai aumentar entre 20 a 30% após a demolha”, explica André. Há dois tempos de demolha, 48 horas e 72 horas. “Geralmente o cliente português prefere a demolha com menos tempo. O estrangeiro menos habituado ao sal, escolhe a demolha de três dias”.

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O Costeletão de Novilho, outro prato XXL deste DOC COD.

É hora do almoço. Sentamo-nos na esplanada coberta com vista para o rebuliço de gaivotas, o vaivém das embarcações atracadas e um céu de agosto plúmbeo. Dentro de portas deste DOC COD ardem as brasas há quase três horas. “Fazemos o braseiro a partir das 11h00 da manhã para estar no ponto à hora do almoço. O bacalhau leva perto de 15 minutos a assar”, explica André. No prato, a posta alta ajuda a tornar o fiel-amigo mais gelatinoso, consequentemente em lascas grandes e fáceis de extrair.

Restaurante: À beira Tejo onde aquecem as brasas o tamanho é qualidade
Sala interior no primeiro andar do restaurante

Um grelhador avantajado que não serve apenas para os apetites de bacalhau. Este DOC COD tem duas estrelas XXL. A segunda, um Costeletão de Novilho, ligeiramente maturado, proveniente de animais criados nos verdes territórios do País Basco, nas proximidades de San Sebastian. Prepare-se o comensal pois mais uma vez encontra não a travessa, mas a tábua, ornada com uma peça substancial. “Escolhemos um fornecedor que nos traz confiança na qualidade da carne e na uniformidade do produto ao longo do tempo”, explica-nos o responsável pelo restaurante. O cliente pede este T-Bone assado ao quilo (49 euros/kg) e vê-o chegar à mesa acompanhada, por exemplo, de um esparregado, umas batatinhas fritas caseiras. Queira-a não muito passada, para lhe tomar o gosto com os sucos vibrantes. Não desmereça o apetite sobre um pouco da gordura que orla a peça e empenhe a faca até ao osso que corre toda a peça. Encontra, ai, uma chicha de sabor opulento.

Restaurante: À beira Tejo onde aquecem as brasas o tamanho é qualidade
O enorme grelhador é uma das estrelas da casa

De carta na mão percebemos que o DOC COD faz bom uso das brasas. Nas carnes sobressai o Bife da vazia (18,50 euros), a Espetada de lombo de novilho (11,50 euros), a Espetada de lombo de porco (13,50 euros). No peixe, destaque para o lombo de bacalhau lascado (16,00 euros).

Uma ementa que também vive fora das brasas com as intemporais Pataniscas com arroz de feijão (12,00 euros), os Pastéis de bacalhau com arroz de grelos (9,50 euros), o Polvo à lagareiro (15,50 euros), o Bife de atum à portuguesa (15,00 euros) ou o Arroz de tamboril e marisco (19,50 euros/pessoa). Nesta carta assumidamente lusa os petisqueiros também encontram onde saciar apetites “com espírito de partilha”, sublinha André. Que o diga quem não desmerece umas Amêijoas à Bulhão Pato (18,50 euros), umas Gambas à guillo (12,50 euros), umas Trouxas de queijo de cabra e mel (6,00 euros).

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Doca de Santo Amaro. DOC COD em primeiro plano

Não pense o vegetariano que os instintos bárbaros de ingerir soberbas quantidade de proteína animal, não são contrabalançadas neste DOC COD por pratos amigos do vegetal. Não são muitas as opções, mas encontra a Abóbora recheada com vegetais, a Beringela recheada ou um Cuscuz de legumes que também passam pela grelha. A miudagem encontra um Menu Infantil (10,50 euros) com Hambúrguer e Gelado.

Carta de vinhos interessante com propostas transversais a diversas regiões portuguesas. Amigos do Gin, o restaurante funciona também como bar, com mais de uma dezena de variedades de gin. Outra boa notícia, o DOC COD paga o parque de estacionamento aos clientes. Atenção, o parque sob a Ponte 25 de Abril.

DOC COD

Doca de Santo Amaro, Armazém 16, Alcântara, Lisboa

Horário: Segunda a sexta das 12h00 às 24h00 e sábado e domingo das 12h30 às 24h00

Tel. 213 951 548; Email para reservas: info@doccod.pt

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