O melhor do Lisbon Bar Show

São portugueses e andam pelo mundo a fazer cocktails fantásticos. Elevam a arte do bar à categoria de chefes de cozinha, somam concursos e distinções, aprendem com os melhores e ensinam a jovens promessas. Sobretudo, alegram os finais de dia de quem passa pelos seus balcões. Conheça melhor Pedro Paulo,  João Eusébio, Nelson Bernardes e Paulo Figueiredo, nomeados para o prémio “melhor bartender português internacional” do Lisbon Bar Show.

Pedro Paulo, o fleumático: do Algarve para Londres com um prémio excecional

Paulo Figueiredo

Onde está a trabalhar atualmente? Qual é seu o percurso profissional até chegar aqui?

Sou neste momento supervisor de bar do Coburg Bar no luxuoso Connaught Hotel em Londres. Comecei o meu percurso em hotelaria muito jovem, no restaurante do meu pai em Olhão, aos 14 anos, onde ajudei no verão para ganhar uma bicicleta. Penso que aí tenha ganho o gosto pela indústria hoteleira.

A partir dos 16 anos trabalhei em alguns bares e restaurantes na Quinta do lago, Vale do lobo e Vilamoura entre os quais: T-Clube, Nikki Beach Vilamoura e Gecko's Club.

Em 2010 emigrei para Londres onde em Erasmus terminei o curso de gestão hoteleira na Universidade de Greenwich, em simultâneo comecei a chefiar o bar de um clube de membros. Trabalhei depois no Ladybird cocktail bar onde desenvolvi o gosto pela mixologia tendo em 2011 rumado ao aclamado One Aldwych Hotel como Barman Sénior (equivalente a barman de primeira).

Em 2012 ganhei a Galvin Cup, uma das mais importantes competições de bar do Reino UniEm 2012 fui promovido a chefe de bar e em 2013 nova promoção desta feita a supervisor de bar.

Em 2014 deixei o One Aldwych Hotel para rumar ao melhor hotel da cidade de Londres, o Connaught Hotel.

Ainda em 2014 rumei à Africa do Sul para representar o Reino Unido no campeonato mundial de mixologia clássica onde alcancei o sexto lugar na categoria cocktail aperitivo.do e, em 2013, sagrei-me campeão nacional de mixologia clássica no Reino Unido.

Quais as principais diferenças culturais verificadas a nível de bar, ao viver fora de Portugal?

Eu trabalho num ambiente privilegiado onde o poder de compra é muito alto, dai ser difícil comparar com a realidade que conheci em Portugal. Mas em geral o aspecto cultural joga muito a favor dos bares. Existe a cultura de gastar muito em bares e restaurantes, para além de que a grande maioria da população sai para beber um copo imediatamente depois de sair do trabalho quase todos os dias.

A nível de cocktails a mentalidade está muito avançada. Em Londres nunca trabalhei em nenhum bar onde tivesse servido menos de 100 cocktails por dia em média. Pelo facto das pessoas começarem a beber depois do trabalho (17h), os bares não sentem necessidade de abrir até tarde, sendo que a esmagadora maioria fecha a porta antes da 1 da manhã.

Onde se imagina a trabalhar daqui a um ano? E daqui a 20?

Daqui a um ano espero continuar a liderar equipas num dos melhores bares do mundo, senão no Coburg Bar em outro similar. Daqui a 20 espero ter feito os investimentos certos, ter tido inteligência e sorte de modo a não ter que estar a trabalhar mas sim a desfrutar da praia num local quente:)

Está nomeado na categoria de melhor bartender português internacional nos  prémios do Lisbon Bar Show. Qual a sua opinião sobre este género de prémios, concursos e distinções?

Eu penso que é excelente o facto de o nosso trabalho ser reconhecido, e penso que seja também importante para motivar jovens que estão agora a começar a dar os primeiros passos nesta exigente carreira, a ambicionarem mais e lutarem pelo seu futuro e pelo futuro da indústria hoteleira em Portugal.

Qual (ou quais) o seu ingrediente preferido para trabalhar? E porquê?

Adoro trabalhar com Vinho do Porto derivado às suas notas complexas e o seu perfil naturalmente doce. Gosto ainda de trabalhar com ingredientes fora do comum. Nomeadamente folhas de ouro, especiarias asiáticas, extrato de cogumelos, sumo de tomate amarelo, etc.

Qual é a bebida da sua autoria que tem probabilidades de se tornar tão famosa internacionalmente como um Manhattan ou um Bloody Mary? Dê-nos a receita!

One D.O.M., o cocktail com que me sagrei campeão nacional do Reino Unido.

 A seguir: João Eusébio, Craft Spirits Manager na On Trade Cocktail Group em Espanha

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