Um Espumante Bruto é sempre seco?

Na verdade nem sempre. Mas antes, tomemos o exemplo de um Espumante Natural elaborado através do Método Clássico, outrora chamado de Método Champanhês, método predominante em Portugal na elaboração deste tipo de vinhos especiais e que teve origem na região de Champagne, em França.

A obtenção da efervescência faz-se por uma segunda fermentação do vinho base, numa garrafa hermeticamente fechada.

Quando esta termina, há um período de estágio sobre borras, que vai conferir ao vinho um aumento da complexidade aromática e de volume gustativo.

Em função do designativo de qualidade pretendido para o Espumante Natural, o período de estágio sobre borras é muito variável, indo de seis meses até mais de seis anos.

Esses designativos podem ser, por exemplo, Reserva ou Super Reserva.

No momento de começar a preparar a garrafa para entrar no circuito comercial, há toda uma serie de etapas a executar. Começamos pelo Remuage (remechimento), basicamente é a operação que encaminha as borras produzidas durante a fermentação em garrafa, para junto do gargalo da garrafa, de forma a tornar possível a sua eliminação, e obtendo-se um vinho límpido para ser bebido com prazer.

A fase seguinte chama-se de Dégorgement e consiste na eliminação das borras. A forma habitual de o fazer é imergir o gargalo num “banho” a uma temperatura igual ou inferior a 25.ºC negativos, o que faz com que se forme um pequeno bloco de gelo que encerra as borras.

Ao ser expelido esse pedaço congelado, as garrafas perdem algum vinho, sendo necessário atestá-las para repor a capacidade de 75 centilitros na garrafa e é aqui que entra (literalmente!) o Licor de Expedição. Ele é adicionado ao Espumante Natural antes do fecho definitivo da garrafa e permite que se obtenha o grau de doçura desejado.

E é curioso porque hoje é do conhecimento generalizado a composição dos licores de expedição, mas foi durante muito tempo, um dos segredos mais bem guardados entre os produtores de espumantes.

Com base no teor de açúcar adicionado (gramas p/litro) através do licor os vinhos espumantes em Portugal classificam-se da seguinte forma:

Bruto Natural ou Dosagem Zero – sem adição de açúcar;
Extra-bruto - menos de 6 gramas;
Bruto - menos de 12 gramas;
Extra-seco - 12 a 17 gramas;
Seco - 17 a 32 gramas;
Meio-seco - 32 a 50 gramas;
Doce - mais de 50 gramas.

Logo tenho dois desafios a propor-lhe, o primeiro é adicionar 12 gramas de açúcar a 1 litro de água e beber… vai ver que de sabor seco, a água não tem nada.

O segundo, apreciar estes belíssimos Espumantes Naturais de região da Bairrada.

Teresa Gomes
(Sommelier OUT OF THE BOTTLE)

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