Os Estilos de Vinhos do Porto: Tawny ou Ruby? Difícil escolher…

Decidimos descomplicar o Vinho do Porto! A partir desta publicação, iremos explicar tudo aos que nos seguem, até o tema ficar completamente ”esmiuçado”. Sem mais demoras, avancemos…

Por: José Faria (Sommelier do Out of the Bottle)

O Vinho do Porto é um vinho produzido na Região Demarcada do Douro. O processo de fabrico, baseado na tradição, inclui a paragem da fermentação do mosto pela adição de aguardente vínica (benefício ou aguardentação), a lotação de vinhos e o envelhecimento.

Características

O Vinho do Porto distingue-se dos vinhos comuns pelas suas características particulares:

Uma enorme diversidade de tipos; Uma riqueza e intensidade de aromas, e uma persistência muito elevada quer de aroma quer de sabor; Um teor alcoólico elevado (geralmente compreendido entre os 19 e os 22% vol.), numa vasta gama de doçuras e grande diversidade de cores.

Os vinhos do Porto podem ser divididos em dois estilos consoante o tipo de envelhecimento. 

Estilo Ruby

São vinhos em que se procura suster a evolução da sua cor tinta, mais ou menos intensa, e manter o aroma frutado e vigor dos vinhos jovens. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby, Reserva, Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos das melhores categorias, principalmente o Vintage, têm grande potencial de guarda, pois envelhecem bem em garrafa.

Características

Os vinhos deste estilo, onde o Vintage é a categoria do topo da escala, são carregados de cor e ligeiramente mais doces e frutados do que os Tawnies. Produzido a partir de uvas de um único ano e engarrafado dois a três anos após a vindima, evolui gradualmente durante dez a 50 anos em garrafa. O encanto do Porto Vintage reside no facto de ser atrativo em praticamente todas as fases da sua vida em garrafa.

Em Portugal, é o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) que reconhece e classifica os vinhos do Porto como "Vintage".

Foi o caso do ano de 2011, onde este QUINTA DO CRASTO Vintage 2011 e o trabalho dos seus enólogos Manuel Lobo e Tomás Roquette, se destacou. Este Vintage tem um início harmonioso, evoluindo de forma progressiva para um vinho de grande volume e concentração, composto por taninos frescos de textura firme e muito compacta. Fresco, longo e elegante, com uma notável explosão aromática de frutos silvestres muito maduros.

No nariz, excelente concentração aromática, onde se destacam expressivas notas de frutos silvestres maduros e suave especiaria. Tudo muito equilibrado.

O Late Bottled Vintage (LBV) é um vinho de uma só colheita, selecionado pela sua elevada qualidade engarrafado depois de um período de envelhecimento de entre quatro a seis anos. A maioria está pronta a ser consumida na altura da compra, mas alguns continuam o seu envelhecimento em garrafa.

Este QUINTA NOVA Porto LBV 2009, representa na perfeição o estilo Ruby. Jorge Alves e Sónia Pereira criaram um vinho com um nariz que revela aromas intensos de fruta preta (amoras e mirtilos) e notas florais (pétalas de rosa). Em boca, estruturado e macio, com magnifico equilíbrio entre a doçura, a acidez e o álcool. Muito concentrado, de textura sedosa, muito persistente e com intensas notas de fruta.

Quando e como beber:

Os vinhos deste estilo são melhor bebidos a uma temperatura média e acompanha bem certos queijos, como queijo da Serra a, queijo de Azeitão, Cheddar e mesmo queijos não pasteurizados, no caso do LBV. São também um bom par para chocolate amargo e doces com café. Combine uma das sugestões com este Bolo Mágico de Chocolate, e deixe-se levar pela magia…

Estilo Tawny

Obtido por lotação de vinhos de grau de maturação variável, conduzida através do envelhecimento em cascos ou tonéis. São vinhos em que a cor apresenta evolução, e os aromas lembram os frutos secos e a madeira; quanto mais velho é o vinho, mais estas características se acentuam. As categorias existentes são: Tawny, Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos) e Colheita. São vinhos de lotes de vários anos, excepto os Colheita, que se assemelham a um Tawny com Indicação de Idade com o mesmo tempo de envelhecimento. Quando são engarrafados estão prontos para serem consumidos. O seu sabor lembra nozes e figos secos graças aos anos de oxidação lenta e controlada em grandes barris ou cubas. Os tawnys são mais alcoólicos, quanto mais elevada a indicação de idade.

Quando e como beber:

Os colheitas e os Tawnys envelhecidos devem ser servidos frescos, quer no Verão ou no Inverno. Eu aconselho por volta dos 15°C. Esta temperatura permite apreciar o vinho, sem a forte presença do álcool. Estes podem ser bebidos como aperitivos ou no fim das refeições, perfeitos quando acompanhados por frutos sêcos.

Da casa Symington Family Estates, pelas mãos do seu enólogo, Charles Symington, chega-nos este GRAHAM'S The Tawny de cor âmbar dourada, aromas suaves de amêndoas torradas com notas de casca de laranja e especiarias. Bem estruturado e complexo, convidativo e cativante, com um longo e persistente final de boca.

Para a comparação escolhi este WINE & SOUL Porto Tawny 10 anos, um vinho criado pelas mãos de Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, que têm perseguido o objectivo de criar vinhos que expressem todo o carácter das vinhas velhas e castas indígenas do Douro, procurando o equilíbrio entre entre a concentração, complexidade e elegância. Este Tawny tem uma otima relação qualidade-preço e aromas frescos e complexos de nozes associados a notas de mel e figos. Na boca é extremamente rico de sabores e final muito longo.

Comprem agora e esperem para abri-lo com esta receita de Bolo-Rei! Eu sei que é cedo… desculpem mas é o meu bolo favorito!!

 

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