Alda Benamor

  • 14 anos

    Há dias, a minha filha mais velha deu uma resposta torta à irmã. Quando eu me preparava para intervir, ouvi: “não a repreendas, mãe. A adolescência é uma fase difícil e temos de entender quando ela fica mais instável”

  • Mães ou humanas?

    Quando me soube grávida da primeira vez, determinei o tipo de mãe que queria ser e o género de rotinas que iria garantir aos meus filhos. Ia ser sempre paciente. Ia levá-los ao parque mesmo nos dias em que estivesse exausta. Ia definir um dia por semana para apenas falar noutro idioma com eles. Mal sabia eu que a vida, o cansaço, as obrigações, o tempo e a minha condição humana me condicionariam tanto do que determinei.

  • 15 anos

    A minha bebé tímida virou uma rapariga extrovertida, sociável e conversadora. Uma rapariga que se impõe desafios e que acredita na possibilidade das impossibilidades. Uma rapariga que está longe de perceber o tanto que me ensina todos os dias

  • Ah, as boas e maravilhosas férias!...

    As férias passaram a ser um frigorífico que parece esvaziar-se uma hora depois de eu ter chegado das compras

  • Corpo de retalhos

    Há coisas que nós, simplesmente, não conseguimos ver. Que, derivado da correria da vida ou da miopia da rotina, nos passam literalmente ao lado – até ao dia em que a realidade nos assola como um verdadeiro balde de água gelada despejada em cima do nosso coração.

  • Tenho um ET na minha vida!

    A bebé era linda, perfeita e tudo o que eu mais desejava, mas eu sentia-me a um passo de Golias de saber lidar com ela

  • Longe dos olhos...

    Estar a milhares de quilómetros dos meus filhos chega a parecer doentio de tão doloroso que é. Parece, sem exageros, que me falta uma perna e que ando a coxear, desorientada, pelas estradas da vida

  • Quero que os meus filhos cresçam num mundo feliz

    Hoje, os meus filhos acordaram cedo demais. Invadiram a minha cama, encostaram-se a mim e, num sussurro pesado, um deles perguntou-me: “os terroristas vão chegar a Portugal?”

  • Deixem-nos estudar. Por favor?...

    Torna-se ironicamente ridículo termos de andar a implorar para que deixem os nossos filhos estudar

  • Aprendiz do amor

    Garanti-lhe que lhe ensinaria o mais que pudesse, de forma a que, um dia, ela soubesse tomar as melhores das suas decisões. Quando nasceu, mal sabia que, neste processo, seria eu a grande aprendiz

  • Crise de palavras

    Numa altura em que a crise económica parece arrebitar para dar claramente lugar a uma crise nacional de valores, eu queixo-me de outro mal: a crise das palavras. Porque, por mais que eu seja uma pessoa que as cultiva, ando há largas semanas carente das letras que as formam. Ou do tempo que me permitiria formá-las

  • Caixa de memórias

    Os 29 anos de anos daquela caixa de música guardam memórias de uma vida imensa

  • O tudo no nada

    A história e o relato foram marcantes. A dor que ecoava das palavras era acutilante. Mas a força de viver que aquele casal revelava era simplesmente pedagógica

  • As torradas da vida

    Nunca perdi esta infantil capacidade de apreciar de olhos fechados as coisas boas da vida.

  • Aluga-se marido

    O meu estado de “divorciada” não me trouxe quaisquer contratempos – a não ser na hora de ter de usar um berbequim ou de querer mais tempo para mim. Até que me deparo com um estigma público que desconhecia por completo

  • Deixai os meninos voar

    Não sou fundamentalista, mas assumo a determinação nas minhas crenças (sendo que – atenção! - as minhas crenças de ontem podem ser radicalmente diferentes das que terei amanhã). Leva-me isto a uma crença que, pelo menos até agora, não mudou. A de que devemos mesmo deixar os meninos voar.

  • O ciclo das modas

    A minha mãe sempre foi uma mulher que deu alguma importância à sua imagem.

  • “Tu chegas para todos?”

    Perguntam-me muitas vezes se é possível dar a quatro filhos a mesma atenção que se daria a um ou dois. Não, não é. E não é sobretudo quando, em casa, não existe uma mãe e um pai para se dividir as atenções, tendo de servir apenas dois olhos, dois ouvidos, uma boca e dois braços para dar conta de todas as necessidades

  • O desafio da (minha) consciência

    Este fim de semana foi, como habitual, maravilhoso. Mas só foi tudo maravilhoso até que me “vi”

  • Nunca perdi muito tempo a pensar na maternidade

    Mas talvez tenha sido precisamente nesta “inconsciência consciente” que a maternidade e a vida me surpreenderam. Não ter criado expectativas fez com que o ser mãe tivesse sido (e continue a ser) a mais incrível e desafiante experiência que tive até hoje

  • As hipotecas da vida

    Fará sentido hipotecar a nossa vida em prol de conceitos que se revelam verdadeiras utopias?

  • Não são olheiras, senhores. São sinais da (matern)idade…

    Com os olhos pesados de uma direta para que já não tenho idade, vim até ao meu quarto, vesti o pijama e estava a preparar-me para me entregar ao maravilhoso conforto dos meus lençóis quando senti um braço a tocar-me

  • Como é que eu fui capaz?

    Não sei se esta é uma questão que assola o pensamento de outras mães. Mas são invariáveis as vezes em que eu dou por mim a viver um verdadeiro buraco temporal que não parece fazer mais do que dar-me um valente estalo de realidade

  • Tempos de mudança

    Acredito que as mudanças são sempre para melhor – mesmo que, na altura da tempestade, os relâmpagos nos impeçam de ver imediatamente as vantagens

  • Pópós, chichas e outros que tais

    Esta coisa de se chamar nomes fofinhos às enfermidades da vida sempre me fez alguma confusão. Porque raio havia eu de falar outra linguagem com as crianças que não aquela que utilizo no dia-a-dia?

  • Os fanicos da maternidade

    Há dias em que eles me dão literalmente cabo da cabeça. Em que a velha máxima de que os filhos são maravilhosos me parece a mais irónica piada do universo, fazendo-me suplicar (quase que literalmente) por uns míseros cinco minutos em que eu volte a ser eu. A Alda-pessoa, isolada da Alda-mãe

  • A bela e (não) harmoniosa adolescência…

    Respostas tortas, comportamentos desviantes e choques diários são a realidade de duas mães que parecem não saber já como lidar com aqueles meninos que, até há tão pouco tempo, pareciam ser uns seres angelicais com uma aureola gigante e eterna

  • D. Augusta

    Os meus amigos dizem que tenho um “dedo especial” para situações caricatas. E, de facto, quase que podia escrever um livro sobre as coisas estranhas que me foram acontecendo ao longo da vida. Mas o curioso é que retiro de quase todas elas aprendizados que, de tão importantes, parecem ser realmente um enredo desenhado à minha medida

  • Eu, eles e “aqueles” pequenos momentos

    A maternidade tem também muito disto, desta bipolaridade emocional que tanto nos faz querer passar todo o tempo do mundo com as crianças como, de repente, nos leva a ansiar por umas horas sem contacto com pessoas cuja idade tenha menos de dois dígitos

  • Nove anos

    Era um dia quente de Verão quando me deram a notícia. “Vai ter gémeos”. Eu sempre disse que queria ter quatro filhos, mas nunca pensei que os dois últimos me chegassem de uma só vez

  • Até que nos dizem que eles são diferentes

    Tudo muda nesse dia. Mesmo que a chamada diferença seja tão ténue e aparentemente resolúvel que nem mereça ser assim chamada

  • Socorro, estou a ficar igual à minha mãe!...

    O choque! O drama! Eu, uma mãe tão liberal, compreensiva, companheira e brincalhona, sou igual à minha mãe? Mas como é que isso é possível?

  • Adeus, Sheila

    Ela terá sido, provavelmente, uma das minhas primeiras melhores amigas. Era filha dos donos do café que existia a paredes meias com a casa dos meus pais. Não sei precisar como é que nos conhecemos, mas recordo-me que, do nada, nos tornámos grandes amigas

  • O tamanho importa

    Vá, não se deixem enganar pelo título. Esqueçamos as velhas teorias fundamentalistas e mais intimistas (ou íntimas, na verdade) e foquemo-nos naquilo que aqui me trouxe: o tamanho e os preconceitos

  • “Credo, tantos filhos!”

    Eu podia escrever uma enciclopédia só com os comentários que ouço das pessoas que ficam a conhecer a “quantidade exorbitante” de filhos que já saiu deste meu corpo

  • Descomplicação complicada

    As pessoas costumam perguntar-me se, com quatro filhos, me tornei uma mãe mais descomplicada. Acredito sinceramente que sim. A rotina diária é apertada, obrigando-me a uma organização quase milimétrica e cronometrada, mas conto com a ajuda deles para que o cumprimento dos horários e das tarefas sejam sempre garantidos

  • Deixem-nos sonhar

    Todos ouvimos, desde tenra idade, dizer que a vida é só uma e que a devemos aproveitar ao máximo. No entanto, existe aqui uma incongruência que ainda não consegui deslindar: o facto de parecer que, à medida que os anos passam, cada vez a aproveitamos menos

  • E se?...

    Há uns tempos, convidaram-me para moderar uma palestra sobre temáticas relacionadas com a gestão de crianças, englobando áreas como a organização do dia-a-dia e algumas regras para fazer dos miúdos mais rebeldes crianças com rotinas e regras. E eu, apesar de me ter sentido bastante grata pelo convite, não deixei de me surpreender com o mesmo. Tendo já sido criticada, por alguém próximo, por ser demasiado permissiva com os meus filhos, como é que haveria de dar dicas sobre como educar os filhos dos outros?

  • Lifebook

    Vivi quase duas décadas sem internet. E, em vez de dedicar o meu tempo livre a descobrir as funcionalidades do Google ou a conhecer amigos virtuais, passava horas intermináveis a explorar a minha rua. Vivia na casa das minhas vizinhas, sujava-me no parque infantil, descobria que uma pétala de uma flor e um copo de água, quando misturados, podiam resultar no mais extraordinário perfume infantil

  • O tempo perguntou ao tempo…

    Pessoas mais velhas que eu explicaram-me a diferença que existe, para elas, entre ser mãe e ser avó. “O tempo, apenas o tempo”, disseram-me.