Semana de Moda de Lisboa mostra tendências para o próximo inverno

Destaque para a utilização do preto e branco em quase todos os desfiles e para a comemoração de 25 anos de marca de Miguel Vieira e 20 anos de marca de Nuno Gama

Luís Buchinho - Desfile nas Arcadas Poente, no Terreiro do Paço. Este foi um desfile ao ar livre, numa tentativa do designer criar uma dinâmica diferente da habitual. A coleção apresentada foi a mesma vista na Semana de Moda de Paris, uma clara inspiração na revolução do 25 de abril, onde o preto, o branco e o vermelho deram cor à temática. As silhuetas apresentadas foram fortes e afirmativas, numa clara influência do vestuário masculino. As construções geométricas com detalhes assimétricos mostraram o toque urbano que o designer quis dar à coleção. Os materiais (pele, lãs feltradas, crepes e tweeds de lã) reforçam este conceito pela sua resistência e força. As peças estruturadas, de ombros marcados e de corte reto mantinham um espírito retro/moderno.

Ricardo Andrez - O estilista fez um jogo de cores entre o preto e o branco, misturando-lhe uns toques de cinza e mostrou-se diferentes composições geométricas nas suas peças. O uso das luvas foi um detalhe visto em quase todos os looks e os tecidos fortes mostraram que o inverno de Andrez será sem dúvida rigoroso.

Saymyname – “Stratosphérique” é uma coleção inspirada no trabalho e na mente de Victorine Muller, uma performista, pintora, escultora e artista sonora. Os tecidos desportivos e o neoprene deram forma à coleção em tons metalizados de preto, caramelo, ameixa e cinza granada. Calças skinny com fechos e grandes pregas na cintura estiveram em destaque numa coleção marcada por uma silhueta futurista e minimal. Os sapatos apresentados são da Xperimental Shoes.

Aleksander Protic - Os tons predominantes foram o preto e o branco com recurso a um padrão xadrez em tons de castanho. O designer usou lã, algodão e pele para criar silhuetas estruturadas e formas geométricas numa coleção inspirada no silêncio, maturidade, tranquilidade e religião. Os sapatos resultaram de uma parceria entre o estilista e a marca portuguesa Dkode.

Os Burgueses - A dupla de designers Mia & Eleutério foram os seguintes a desfilar as suas ideias para o inverno 2014. Os estilistas criaram uma coleção intitulada Black Out, onde a cor predominante, tal como o nome indica, foi o preto. Neste desfile foi também possível ver a criação de acessórios como malas e mochilas e apontamentos de franjas nas diferentes peças. Pedro Pedro - 'The Proud Rebel' foi o nome encontrado pelo estilista para a coleção cujo conceito surgiu de retratos de famílias de índios Norte Americanos e no aspeto moderno e minimal que o seu vestuário apresenta. Nesta coleção vemos uma fusão entre o tribal e o ocidental, com recurso a silhuetas extra-large em tons de preto, branco, camel e verde.

Alexandra Moura - Inspirada na origem de tudo e no lado animal, a designer quis criar uma nova raça humana com um novo código genético. A silhueta desta coleção é composta por linhas retas, simples, e tubulares em tons de preto, bege, amarelo torrado, azul índigo e branco. Os acessórios trazem uma forte componente estética e simbólica, a utilização do metal dourado que nos reporta ao Ouro, metal precioso com origem extraterrestre, segundo um estudo publicado na revista Science. A simbologia que traz para esta coleção é a origem de tudo, a beleza e a proteção, lembrando as primeiras civilizações terrestres.

Nuno Baltazar - O designer desfilou a sua clássica elegância no Pátio da Galé, mas desta vez com um toque de modernidade e jovialidade. O filme de 1992 'Orlando' foi o mote de inspiração do designer para esta coleção. Reinterpretações depuradas de detalhes de época, linha Coccon e H, golas de grande dimensão e especial destaque para o trabalho de ombros e mangas, pregas e aspetos masculinos. Os acessórios reforçam o caráter depurado e masculino da coleção pintada de pretos, verdes esmeralda, caramelo, verde musgo, branco e fuschia.

Ricardo Preto - Numa passerelle marcada por troncos, terra e nevoeiro as modelos de Ricardo Preto desfilaram por entre as brumas, deixando o público satisfeito com o espétaculo apresentado. O designer inspirou-se em Eileen Gray e no que ela vestiria. Nesse sentido criou uma coleção baseada numa mulher com uma silhueta longa e reta, usando materiais como marrocans de seda e lã e fazendas de caxemira. Os tons mostarda fundiram-se com os azuis, pretos e brancos. Kandinsky e Bauhaus inspiraram o designer em padrões geométricos, prestando homenagem ao cubismo.

Marques’Almeida - Para o próximo inverno a dupla de designers explora o eveningwear pela primeira vez, oferecendo opções de vestuário formal, mas mantendo-se fiel ao estilo street e a um sentimento de despreocupação, que tem vindo a caracterizar a estética da dupla. Nesta coleção foi também a primeira vez que a dupla trabalhou com tecidos mais nobres, omo a seda selvagem, a pele de carneiro e o pony hair. Foi também possível destacar a clara inspiração nos anos 90, com parkas de seda de novos comprimentos, casacos biker reinventados em novos materiais e jeans de silhieta slim. A paleta de cores ficou a cargo do vermelho, branco e azul profundo, lembrando o espírito americano e tornando a coleção urbana mas sofisticada.

Vitor - V!tology foi o nome criado para a coleção de outono/inverno que traz consigo boas energias. Os coordenados mantiveram os estampados, com tecidos tecnológicos, sublimação em jersey e hoodies trabalhados com o toque característico da marca. Os deuses, as criaturas e as musas inspiradoras da coleção assumem diversas formas inesperadas ao longo da coleção, num desfile animado que contou com modelos de patins e animações em tons de laranja feitas de balões.

Dino Alves - O estilista quis passar uma mensagem: a cada passo que damos, deixamos a marca da nossa pegada. É ela que vai contando uma história. Dino acredita que a história de cada um é contada em parte pelo look que adotamos e nesse sentido quis virar uma página de história e colocar a moda como uma parte importante da escola da vida. Nesse sentido usou pregas e machos sobrepostos de forma a criar um efeito fole que remete para páginas e folhas de livros. A sobreposição de painéis criou o mesmo efeito e é possível também destacar aplicações várias de badanas a imitar o efeito de folhas ou páginas. O preto, branco, creme, areia, caramelo, azul, alfazema, beringela forte e cerise foram as cores escolhidas de uma silhueta justa e rígida, formal e austera, longilínea e ampla. De forma a ilustrar o seu conceito Dino deu a oportunidade a um grupo de crianças do bairro da Quinta da Laje, na Amadora, que conta com a ajuda da Sapana, uma organização sem fins lucrativos a atuar em Portugal e na Índia. o objetivo do designer foi dar-lhe uma oportunidade única de participar num evento, que normalmente não teriam possibilidade. Foi a forma criada pelo designer de diminuir a distância entre estes dois mundos e chamar a atenção para os vários tipos de pobreza atuais.

White Tent - Esta foi uma continuação do trabalho desenvolvido para a estação de outono/inverno 12/13, onde foram introduzidos materiais novos como o crepe de seda e o camuflado ton-sur-ton. Foram trabalhadas algumas malhas com estampados a foil dourado e introduziram lurex noutras. Jogos de color blocking também foram explorados numa coleção que, mantendo o caráter desportivo despojado, se tornou mais feminina e arrojada, mas sempre dentro de um registo minimal.

 

Miguel Vieira - Nesta coleção foi possível uma mulher forte, sedutora mas delicada, confiante e objetiva. O homem também se mostrou elegante, charmoso e determinado. O estilista usou várias tonalidades de branco, dourado, antracite e preto. Foram usados tecidos jacquard com motivos florais e animais, malhas, fazendas e lantejoulas para uma coleção cheia de jogos de volumes e assimetrias.

Filipe Faísca - Aqui destaca-se a silhueta XL, com tecidos como o Burel, Moutons raze e jersey voile em viscose. Este desfile foi marcado por uma coreografia dinâmica onde várias modelos estavam em cena ao mesmo tempo e no final todas se sentaram no chão, tendo-se levantado apenas com a entrada de Filipe Faísca em cena.

Nuno Gama – O designer criou nesta coleção um homem de silhueta longilínea, contrastada por troncos viris, com volumes mais ou menos próximos do corpo. Os algodões e as lãs continuam a sua disputa hierárquica, num jogo discreto de baço/brilho, onde se destaca a força dos azuis atlânticos em profundos contrastes de negro, enaltecidos de quando em vez pela paixão do vermelho ou tranquilizados por uma paleta mais tranquila de cinza ou camel. Este é sempre um dos desfiles mais esperados pelo público, que reagiu de forma positiva aplaudindo durante todo o desfile. No final Nuno Gama entrou em cena para agradecer acompanhado da sua cadela, Gamita, e algumas das suas crias.

 

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