Para todos os corpos e gostos: o fato de banho é uma tendência a ter debaixo de olho

Nos anos 1980 o fato de banho dominava as praias. Depois o biquíni tornou-se rei e senhor. Mas nos últimos anos a tendência tem vindo a inverter-se. No Dia do Biquíni analisamos esta tendência com a ajuda de uma blogger e de uma psicóloga clínica.

Se no ano passado tivemos uma polémica "à francesa", com a proibição (e a inversão da decisão) do uso de burquini em algumas zonas balneares do país, que teve como consequência o aumento das vendas, o biquíni, que deixa mais o corpo à mostra, começou a perder terreno para o fato de banho.

O El País escrevia no início de setembro de 2016 sobre esta tendência, assim como o The Guardian, pelas mãos da cronista Jess Cartner-Morley, que aponta duas razões para este fenómeno.

Por um lado, o fato de banho passou a ser uma peça “cool” e “boa onda” graças a celebridades como o clã Kardashian, Taylor Swift ou Selena Gomez, exemplos de mulheres jovens e sexys que não têm qualquer problema em exibirem-se de fato de banho na era das redes sociais. E se elas podem, qualquer uma pode. Por outro lado, a cronista acredita que há uma maior consciencialização em relação aos perigos da exposição solar e uma peça de roupa que cobre mais o corpo é uma mais-valia neste luta contra os malefícios do sol.

Para todos os corpos e gostos: o fato de banho é uma tendência a ter debaixo de olho
Taylor Swift, Selena Gomez, Kylie Jenner, Kourtney Kardashian, Kim Kardashian e Kendall Jenner.créditos: Reprodução Instagram

Mas o que conduziu a esta mudança de paradigma balnear? “É uma questão de moda realmente. Enquanto antes apenas as que se sentiam menos confortáveis com o seu corpo apostavam nesta peça hoje em dia há tantos formatos diferentes e inovadores que as mulheres acabam por se render mais ao fato de banho. Falo por mim: há anos que só usava biquíni e desde o ano passado que tenho apostado mais em fatos de banho”, afirma Margarida Almeida do blog Style It Up.

Para Filipa Jardim da Silva, psicóloga clínica “com a revitalização do modelo de fato de banho e a quebra de conceitos de moda tão rígidos, a imagem do fato de banho modificou-se e de peça discreta assumiu muitas mais identidades, tornando-se o seu público-alvo bastante heterogéneo”.

Não há dados disponíveis em Portugal do número de vendas desta peça, mas não há dúvida de que há uma multiplicação de marcas nacionais (e internacionais) a comercializá-la.

“Ajuda o facto de haver muito mais variedade de escolha, para todos os tipos de corpo. As portuguesas estão a aderir muito ao fato de banho, sem dúvida, neste verão. Não quer dizer que não usem também biquíni. Na verdade as mulheres têm sempre várias opções para poder usar, até na praia”, explica Margarida Almeida.

Filipa Jardim da Silva realça que “a possibilidade de se aderir a esta tendência pode ser vista como um ato de liberdade. Importa que as mulheres se libertem das suas próprias prisões e que usem o que querem e como querem, assumindo-se na totalidade como donas do seu corpo. Uma mulher mais magra pode preferir usar fato de banho como uma mulher mais curvilínea pode optar pelo biquíni. A aceitação e integração social de ambas em nada deverá depender destas escolhas de vestuário balnear”.

Sessão fotográfica
créditos: Pixabay

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