O charme sedutor das contas com significados

A verdadeira caixa de… Pandora! Stephen Fairchild, vice presidente senior e diretor criativo da marca, desvenda os segredos por trás de uma das marcas de joalharia mais acarinhadas pelas mulheres

Reunir momentos foi o mote para o lançamento de Moments, a pulseira impulsionadora do sucesso da marca de joalharia dinamarquesa com cerca de três décadas de vida. A ideia foi criar uma peça onde a qualidade dos materiais se unisse ao design a que a marca já nos habituou, mas onde o consumidor pudesse dar o seu toque, construindo ele mesmo a pulseira e acrescentando sentimento a uma, aparentemente simples, peça de joalharia. Para Stephen Fairchild, vice presidente sénior e diretor criativo da marca, que trabalha em conjunto com Lee Antony Gray, a cabeça da equipa de design, o segredo para o sucesso está precisamente nesta diferenciação.

Num mundo que muda a cada segundo como entra a intemporalidade de uma joia?

O mundo está em constante mudança e por isso uma das principais preocupações da Pandora é manter a relevância. Com o vaivém de tendências dos dias de hoje, é importante que aquilo que se produza contenha em si um objetivo de intemporalidade e, de alguma forma, o objetivo de se tornar icónico. Por outro lado, manter o core business da marca é meio caminho andado para a peça se tornar eterna e não é por acaso que a coleção Moments tem sido o sucesso que conhecemos. Está focada numa peça que acumula momentos, que podem ser lembrados para sempre. A par disto tem de existir sempre uma preocupação aspiracional. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de maneira que fazer um upgrade à criação é sempre importante. Nunca, é claro, descurando o foco, o ADN da marca.

Os diamantes ainda são para sempre?

As joias Pandora poderão e deverão ser para sempre. Não porque valem milhões, mas porque valem em emoções, lembranças, momentos...

Os acessórios deixaram de ser apenas acessórios. E as joias? Passaram a ser também acessórios?

Eu acredito que sim e vou explicar isto doutra forma. Há dias estava numa loja em Paris e observava jovens mulheres enquanto estas compravam acessórios. Notei que, a par dos acessórios, como carteiras e sapatos, as joias também eram uma preocupação. Creio que na Pandora é nosso dever educar as mulheres nesse sentido, explicando-lhes que para cada ocasião, tal como um sapato ou carteira, há uma joia. Até porque temos joias para vários gostos e bolsos. Uma jóia já não tem de ser aquela peça intocável e limitada a um dia especial.

Estamos então a falar de criar peças icónicas... Porque estamos numa fase onde a saturação das tendências está a levar as pessoas a regressarem aos básicos, vingando-se nos acessórios e nas joias para criar um twist no visual... A coleção Shimmering Leaves, por exemplo, não é o suprassumo do chamado statement, porque a Pandora tem mantido o seu ADN, que não inclui peças estrondosas cujo objetivo seja criar esse tipo de impacto, mas [esta coleção] já é um princípio. E é também nesse sentido de criar possíveis peças statement que estamos a trabalhar a coleção do outono de 2015.

Na edição de 2012 da vossa revista Moments, palavras como forever e moments eram uma constante. Se fosse hoje, as palavras seriam as mesmas ou novas surgiriam?

Usaria as mesmas e acrescentaria a palavra envolvência. A envolvência da companhia, da organização, do público, a sua... Criar uma marca é como plantar uma árvore e o que é maravilhoso quando se planta uma árvore é vê-la crescer, grande e forte. Cabe-me a mim manter a árvore saudável. Como faço isso? Envolvendo as pessoas à minha volta. As que trabalham comigo, todas desde a fábrica até aos altos cargos e, claro, o consumidor final. A palavra relevância, como já referi atrás, também está no topo da minha lista. Manter a relevância para que o consumidor não se perca no meio de tantas marcas. Assim, acrescentaria duas palavras: envolvência e relevância.

Veja na página seguinte: Existe uma joia para cada mulher?

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