Kenzo X H&M: Uma coleção à prova de homem?

“Foleira”, “reles”, “de gosto duvidoso”, “de má qualidade”, “instafashion para as massas”… diz-se de tudo um pouco, mas uma coisa é certa: independentemente do que se diz e pensa, tal como nas colaborações anteriores com outros designers, esta linha da H&M vai esgotar em horas ou até minutos.

“Piroso só pelo gozo de ser piroso” escreveram críticos como a papisa Suzy Menkes (a editora internacional de todas as Vogues) a respeito da primeira coleção, inspirada no McDonald’s, que o norte-americano Jeremy Scott, “o estilista do povo”, apresentou em 2014 para a casa italiana Moschino.

Em outras palavras, é mais ou menos isso que se lê e ouve por aí em reação à nova colaboração entre o retalhista sueco H&M e a marca parisiense fundada pelo japonês Kenzo Takada, revelada na íntegra dias atrás —  estará à venda em algumas lojas H&M (em Portugal, apenas na do Chiado, em Lisboa) e online a 3 de novembro.

O que parece dividir mais as opiniões é o excesso de cor, de camadas e de padrões gritantes, mas a dupla de diretores criativos da Kenzo, Carol Lim e Humberto Leon, faz questão de ressaltar o facto de terem recuperado para esta coleção muitas estampas antigas que estavam nos arquivos da casa (a Kenzo festejará 50 anos em 2020) e de terem usado, ainda que de forma diferente, o icónico tigre que se tornou uma das suas imagens de marca mais poderosas. Por outro lado, não quiseram ser convencionais e abdicaram de modelos profissionais para promover a linha, optando antes por sete amigos e “influenciadores”,  como o compositor Ryuichi Sakamoto, a atriz Chloë Sevigny ou o rapper Suboito, para lhes dar corpo.

Se gosto do que vejo? Depende. Parte de mim consegue achar-lhe o seu quê de divertido e não sou, de todo, indiferente à estética forte criada graças às sobreposições de padrões e texturas. Se acho que é “usável” — sobretudo para os homens? Depende. Não vejo honestamente muitos homens — fora do meio da moda — a usar aquelas peças, mas a verdade é que o homem comum nunca foi aqui o alvo. É o barulho a volta que conta. Seja como for, usaria algumas das peças mais básicas, como as peúgas, as t-shirts (gosto das riscas, diga-se o que se disser) ou até mesmo as botas com a sola verde fluorescente e os chinelos de enfiar o dedo XXL, para dar um toque de cor e humor aos meus looks.

Por João Miguel Simões, texto (follow me on Instagram @jmigsimoes)

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