Tom Ford inaugura Semana da Moda de Nova Iorque com lantejoulas

Tom Ford inaugurou esta quinta-feira a New York Fashion Week com um desfile retro dedicado aos anos 1990.
créditos: ANGELA WEISS / AFP

Mais de 230.000 pessoas invadem nas próximas duas semanas Nova Iorque para assistir a centenas de desfiles e festas, um evento que contribui com quase 751 milhões de euros anuais para a economia da cidade.

Tom Ford, um texano de 56 anos que, para além de estilista, também é diretor de cinema, transformou na noite de quarta-feira o Armory da Park Avenue de Manhattan numa passerelle íntima, com convidados especiais como Julianne Moore, Kim Kardashian, Cindy Crawford e Helena Christensen.

"Espero que atraia uma clientela mais jovem", confidenciou Ford ao site The Business of Fashion. "É algo um pouco mais moderno".

O criador colocou na passerelle modelos com tops de lantejoulas, casacos e fatos masculinos. As cores eram neutras, apesar de também haver peças de um rosa intenso.

O desfile depressa se transformou na festa de lançamento da sua nova fragrância, "Fucking Fabulous", em grande estilo, com rapazes sem camisa e em calções desportivos distribuindo hambúrgueres e bebidas.

Tom Ford disse à The Business of Fashion que o desfile foi um regresso ao espírito das coleções da Gucci dos anos 1990.

Foi um começo atrevido para a Semana da Moda, isto num momento em que muitos estilistas famosos trocam Nova Iorque pela Europa e em que aumenta o debate sobre a relevância de se continuar a fazer desfiles na big apple e se devem apresentar coleções para o calor ou para o frio.

Oficialmente é a temporada primavera/verão 2017-2018, mas Ralph Lauren e várias outras marcas adotaram o modelo "veja agora, compre agora", o que basicamente significa apresentar a roupa de outono e inverno para que esteja disponível para a compra de forma imediata.

O objetivo destas mudanças responde a uma tentativa desesperada de dar ao mercado dos "millenials" o que eles mais querem: gratificação imediata no mundo das redes sociais, onde planear o guarda-roupa com seis meses de antecipação não faz o menor sentido.

Grandes marcas sairam de Nova Iorque nesta edição da Semana da Moda: Proenza Schouler, Rodarte, Altuzarra e Thom Brown optaram por Paris e Tommy Hilfiger, por Londres.

Especialistas preveem tempos de mudança e uma oportunidade para que marcas jovens, como Monse ou Sies Marjan, brilhem.

Outros apontam para a renovada reputação da Europa como um mercado de maior criatividade e vanguarda.

Modelos plus size e novas coleções

Nova Iorque lidera o caminho quando se trata de modelos plus size nas passerelles, um movimento liderado pela modelo Ashley Graham.

A tendência chega após várias marcas da moda em Paris, incluindo a Christian Dior e a Saint Laurent, terem prometido deixar de usar modelos muito magras em função de escândalos de anorexia e maus-tratos.

Quanto à categoria de cantores-estilistas, Rihanna apresentará a sua coleção Fenty Puma no domingo. A estrela do rap Kanye West também vai apresentar a sua sexta coleção para a marca de roupa desportiva urbana Yeezy, mantida até agora sob segredo absoluto.

 Lista VIP

O rei da moda americana, Ralph Lauren, restringiu a sua lista de convidados à garagem da sua casa em Bedford, Nova Iorque, onde fará o desfile que será seguido por um jantar formal onde o dress code só permitirá o preto e o branco.

Os convidados terão de fazer uma pequena viagem - uma vez que Bedford fica 64 km do norte de Manhattan - para assistir ao espetáculo da marca que faz 50 anos em 2018.

Contra o racismo

Os estilistas americanos insurgiram-se contra a presidência de Donald Trump. Alguns negaram-se a vestir Melania e, em fevereiro passado, a política inundou as passerelles.

O Conselho de Estilistas de Moda dos Estados Unidos associou-se à União pelas Liberdades Civis do País (ACLU, sigla em inglês) de forma a fazer campanha contra o racismo depois da violenta manifestação com neonazis e supremacistas brancos na cidade de Charlottsville, na Virgínia, no mês passado, que terminou com uma mulher morta e dezenas de feridos.

"Queremos estar na linha de frente, não nas margens, para lutar com coragem para proteger os nossos apreciados direitos e liberdades, algo que pede uma renovada urgência", declarou o presidente do Conselho, Steven Kolb.

Uma fita azul está a ser distribuída aos participantes e ao público dos desfiles com esse objetivo.

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