Manifesto de Dino Alves sobre a indústria da moda marca último dia de ModaLisboa

O designer criou para o próximo outono/inverno uma coleção mais próxima do público, respondendo às críticas sobre a inutilidade das suas peças, num dia marcado também pelas propostas de Patrick de Pádua e Duarte, da plataforma LAB, Christophe Sauvat, Valentim Quaresma, Nadir Tati e Nuno Gama.

Para o próximo outono/inverno 17/18 Dino Alves criou uma coleção simples e usável e desta forma decidiu manifestar-se sobre a moda, o seu público e a sua indústria, respondendo às críticas de que as suas peças não fazem sentido e ninguém as pode usar. O designer fez uma apresentação da coleção e uma síntese do panorama da moda em Portugal através das comediantes Ana Bola e Maria Rueff, que deram voz aos seus pensamentos e abriram desta forma o desfile da sua coleção.

Mais do que a apresentação da coleção "Manual de instruções", este desfile pretendeu ser uma espécie de panfleto “revolucionário”, um manifesto sobre o funcionamento da indústria de moda em Portugal, uma tomada de posição em relação ao panorama geral, de uma forma clara, transparente, direta, honesta e verdadeira. Através das peças de roupa, e das ideias com que as mesmas são criadas, o designer apresentou soluções para aquilo que poderão ser algumas razões para o “fosso” que por vezes parece existir entre o seu trabalho e todo o “elan” que envolve estes acontecimentos e a realidade após o desfile. Através da aposta na redução máxima de recursos no momento da conceção e produção das peças e procura de soluções criativas que colmatem essa minimização, aproveitamento de todas as aparas de material e desperdício zero, até ao quase “faça você mesmo”, tentou chegar mais perto do público e dessa forma sentir mais razão de existir. Este movimento foi sentido através do efeito patchwork, peças feitas com painéis de tecidos atados uns aos outros, peças com o mínimo de acabamentos, redução máxima de recursos, redução máxima de aviamentos e mão de obra. As peças muito amplas e sem modelagem aparente com kit de elementos, como por exemplo tiras de elástico soltos que podem colocar-se em várias partes das peças, criaram diferentes opções de modelos “faça você mesmo”.

O dia começou mais cedo, por volta das 15h com o desfile de Patrick de Pádua, da plataforma LAB. O desfile, intitulado "Weapo of life" traz elementos militares e assumidamente streetwear e a coleção desdobra-se através de uma silhueta alongada a partir de sobreposições. A paleta de cores varia entre o bordeaux e o verde seco, pautados pelo preto e o branco. Materiais como o burel, o pelo e o neoprene refletem a individualidade do conceito. Esta coleção manifesta inúmeras formas de luta e expressão repletas de personalidade que estão presentes em cada detalhe que vai surgindo nos coordenados. Duarte, também da plataforma LAB, foi a designer que se seguiu transportando-nos até a uma estância de ski enquanto mostra tendências para o próximo outono/inverno. Numa sociedade focada no movimento constante, a coleção “Nevada” surge como um escape. Os azuis/brancos relacionam-se com as frias montanhas e os vermelhos com o sentimento de desafio existente nos desportos radicais, como o snowboard. As formas opõem-se entre oversized/fitted, num jogo provocante entre proteção e a forma natural do corpo. Seguindo o conceito de sportswear luxury, tudo é planeado para que as peças resultem num equilíbrio entre um estilo desportivo e qualidade.

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