Estas marcas estiveram envolvidas em escândalos de escravidão infantil

Pelo menos um quarto da população vive em países onde há crianças que são obrigadas a ter um emprego para sobreviver. Hoje é o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

O trabalho infantil é um flagelo que parece estar longe do fim. A Organização das Nações Unidas estima que haja pelo menos 168 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil em todo o mundo. Muitas delas em África, particularmente na República Democrática do Congo (RDC). Segundo a UNICEF, só neste país existem 40.000 crianças a trabalhar em minas de cobalto. Por um turno de trabalho, que chega a durar 24 horas, estas crianças recebem menos de 1,80 euros.

A Amnistia Internacional, uma organização de defesa dos Direitos Humanos, assegura que algumas destas crianças têm apenas 7 anos e trabalham sem qualquer proteção física, como capacetes ou roupa apropriada. A matéria-prima que recolhem é usada para fazer baterias de smartphones e aparelhos eletrónicos comercializados por gigantes da eletrónica como a Apple, a Microsoft, a Samsung ou a Sony.

Este mineral também pode ser encontrado em carros elétricos produzidos pela Daimler, detentora da Mercedes Benz, e Volkswagen. Também a fabricante de automóveis BMW admitiu que chegou a usar cobalto proveniente da RDC para produzir baterias. O escândalo levou esta empresa com sede em Munique a asseverar que iria passar a controlar os fornecedores a pente fino, para garantir que não voltariam a compactuar com violações dos direitos humanos.

Em março deste ano, a norte-americana Apple também comunicou o fim da compra de cobalto extraído por crianças na RDC.

Outros casos na indústria da moda e transportes

No final de outubro do ano passado, uma investigação do canal de televisão britânico BBC revelou que existiam crianças e adolescentes a trabalhar em fábricas de confeção de vestuário na Turquia, que depois forneciam marcas como a Marks & Spencer, Mango, Zara e ASOS.

A investigação da televisão britânica frisou que as marcas de roupa desconheciam a existência de mão de obra infantil nas empresas que contrataram para fabricar vestuário. O programa da BBC relatou ainda que essas crianças trabalhavam cerca de 12 horas por dia e recebiam salários baixos. A maioria eram refugiados, alguns com 15 anos.

No entanto o escândalo do trabalho infantil atingiu nos últimos anos outras marcas como a Nike, a GAP ou a H&M.

Uma investigação do jornal Guardian também detetou em 2016 casos de escravidão infantil na Índia, em empresas fornecedoras de tinta para marcas internacionais como a Audi, Volkswagen, Vauxhall, BMW, L'Oréal e Proctor & Gamble.

Na alimentação

Fabricantes de chocolates como a Nestlé, Mars e Hershey têm também sido acusados de comprarem cacau oriundo de plantações onde existe escravidão infantil. Um relatório do ano passado da "Fair Labor Association", e patrocinado pela própria Nestlé, mostrou que algumas das fazendas na Costa de Marfim que forneciam a gigante da alimentação tinham empregados com menos de 18 anos, sendo que em uma das plantações havia registo de um caso de escravidão infantil: um menor não recebia qualquer remuneração pelo trabalho desempenhado.

Num relatório de 110 páginas publicado em 2016, a Amnistia Internacional acusou ainda fabricantes como a Kellogg’s, Colgate ou Dove de usarem óleo de palma produzido por crianças da Indonésia que trabalhavam em refinarias.

A Organização Internacional do Trabalho lançou o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil em 2002 para chamar a atenção para a situação de milhares de crianças em todo o mundo. A data é assinalada os todos os anos a 12 de junho.

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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