Revolução anticelulite

Como funciona um inovador tratamento já disponível em território nacional

Já chegou a Portugal um novo tratamento para a pele casca de laranja aprovado pela FDA que promete eliminar a celulite em 90 minutos. Não importa se é magra ou se tem excesso de peso. O aspeto inestético da celulite deve-se a um distúrbio que afeta o tecido subcutâneo adiposo e leva à formação de nódulos em áreas geneticamente predispostas.

Os cosméticos e o recurso a massagens são aliados contra este problema que afeta, sobretudo, o sexo feminino. No entanto, em casos mais acentuados e usadas de forma isolada, estas estratégias não permitem erradicar a celulite. A solução passa por uma intervenção milimetricamente localizada junto dos adipócitos. A boa notícia é que já foi inventada, aprovada pela autoridade reguladora na área da saúde nos EUA, a Food and Drug Administration.

As mais-valias

O facto de a celulite se localizar a um nível superficial da pele dificulta o seu tratamento. «As terapêuticas mais radicais e invasivas podem deixar sequelas e as mais superficiais não conseguem erradicar a gordura dos adipócitos», explica Biscaia Fraga, médico especialista em cirurgia plástica e estética. Esta nova técnica minimamente invasiva, chamada Cellulaze, vem dar resposta a esse desafio.

«É bastante eficaz. Utiliza a energia do laser para penetrar na pele e quebrar os seus componentes estruturais, eliminando a celulite no seu núcleo», descreve. Segundo o especialista, este tratamento diferencia-se pelo facto «de ser menos agressivo, de permitir obter melhores resultados e por poder ser usado em casos de pele flácida e envelhecida, em que outras técnicas não se podem aplicar».

«É uma revolução pois consegue como que derreter a gordura dos adipócitos a uma profundidade adequada e fazer com que a pele se readapte. Este efeito exige um rigor milimétrico ao nível da quantidade de gordura que se vai eliminar e da profundidade a que a cânula vai ser aplicada», realça o médico.

O Cellulaze passo a passo

Biscaia Fraga, cirurgião plástico, descreve a técnica que promete eliminar a celulite em uma hora e meia:

1. O médico anestesia e desinfeta a área a tratar.

2. Marcam-se as áreas que vão ser tratadas e são feitas pequenas incisões.

3. É introduzido um tubo muito pequeno (ou cânula) na pele.

4. A energia do laser aquece as células de gordura até que estas se liquefaçam. O laser aumenta a grossura e a elasticidade da pele e alivia-a das depressões.

5. A gordura dos adipócitos é pressionada suavemente para o exterior.

Tecnologia aprovada pela FDA

O novo tratamento, indicado para todos os graus e tipos de celulite, é realizado numa única sessão e envolve sedação localizada. «O tecido adiposo dá lugar a tecido fibroso não sendo possível fazer mais passagens com o laser», realça Biscaia Fraga. O facto de a pele ficar mais espessa (mais 25%) e elástica (mais 29%) pode ajudar a nivelar e alisar a superfície cutânea para melhorar a aparência da celulite.

Para além disso, o aparelho é certificado pela Food and Drug Administration, o que atesta a sua eficácia e os estudos associados. «Usada de forma exagerada, esta técnica pode provocar irregularidades, dores e hematomas prolongados, mas os riscos são menores do que numa cirurgia clássica ou lipoaspiração, dado que não são extraídos tecidos», sublinha o responsável.

«É mais segura pois o seu grau invasivo é menor e obtêm-se melhores resultados. Pode-se aplicar a pacientes contraindicados para outras terapêuticas e a recuperação acaba por ser mais rápida e inócua, e não é tão prolongada», refere ainda Biscaia Fraga.

Depois do tratamento

As expetativas de quem se quer submeter a este tratamento devem ser devidamente balizadas pelo especialista que acompanha o caso. «Muitas vezes ultrapassam o bom senso», alerta Biscaia Fraga. No pós-operatório, «os pacientes devem usar contenção elástica, no mínimo, durante três semanas, não devem apanhar sol enquanto existirem nódoas negras, devem andar ou nadar e tomar analgésicos, assim como fazer drenagem linfática».

«Podem voltar às suas atividades normais, um ou dois dias depois do tratamento, e retomar a prática de exercício mais intenso, uma a duas semanas depois. Os resultados vão continuar a melhorar, considerando-se efetivos ao fim de seis meses», sublinha o cirurgião.

«Os estudos têm demonstrado que os podem durar um ano ou mais mas, para isso, deve-se manter uma dieta saudável e praticar exercício», recomenda ainda o médico especialista em cirurgia plástica e estética, já condecorado com a Grande Ordem Honorífica de Grande Oficial da Ordem de Mérito. O custo do tratamento, na zona das coxas, oscila entre os 1.500 € e os 2.500 €.

Texto: Stela Martins com Biscaia Fraga (médico especialista em cirurgia plástica e estética)

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