Pele ressequida

Como travar os efeitos dos danos causados pela exposição solar no ADN celular

Após um dia de exposição solar, e não apenas no verão, a pele fica ressequida. Mas não é só. A exposição continuada danifica o ADN celular, envelhecendo precocemente a pele. Após a exposição ao sol, a pele ressente-se visivelmente. A explicação é simples. «A radiação ultravioleta A e B, sob a forma de energia, atinge a pele e provoca-lhe alterações nas estruturas», explica a dermatologista Leonor Girão.

«A nível da epiderme e derme (camadas superficiais e profundas da pele), provoca espessamento cutâneo, secura e descamação», sublinha. «A nível celular, pode provocar alterações na replicação das células, com aparecimento de cancro cutâneo», especifica ainda a especialista. E, «quando esta exposição é crónica, provoca o envelhecimento cutâneo», acrescenta.

Como a pele se defende

Quando nos expomos ao sol, obrigamos a pele a acionar alguns mecanismos de defesa, na tentativa de se proteger da energia nociva proveniente da radiação ultravioleta (UV). Aumenta a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. A sua função é impedir que os raios ultravioleta penetrem nas camadas mais profundas da pele. Este atua como um escudo que defende a pele da radiação UV.

Essa exposição faz também aumentar a espessura (número de camadas), de forma a impedir ou minimizar o impacto da radiação nas células (que pode induzir o aparecimento de cancro cutâneo). De acordo com Leonor Girão, «quando a exposição à radiação solar é intensa e súbita, a energia da radiação provoca o aparecimento de queimadura cutânea, que vai do vulgar “escaldão” à queimadura de segundo grau com bolhas».

As queimaduras podem ser de dois tipos:

Queimaduras de primeiro grau

Afetam sobretudo a epiderme, ou seja, não penetram nas camadas profundas da pele. São inflamatórias, envermelhecem a pele e causam incómodo. Duram cerca de três dias e provocam uma descamação da parte mais superficial da pele, que volta a regenerar-se em cerca de uma semana. Durante esse período, é necessário aplicar cremes calmantes e altamente hidratantes várias vezes ao dia. E, claro, suspender a exposição ao sol.

Queimaduras de segundo grau

Quando a queimadura é acompanhada de bolhas, isso significa que o dano produzido na pele foi substancialmente maior. As bolhas afetam de forma importante a camada superficial da pele (epiderme), removendo-a diretamente.

Mas também lesionam a camada intermédia (derme), que é a zona mais avermelhada da base da bolha. É necessário esperar que as bolhas sequem e desapareçam por si só. Não é recomendável rebentá-las, já que o líquido que contêm ajuda a regenerar a pele. São o melhor penso possível.

Ingredientes reparadores

«Após a praia, a pele está mais seca, espessada, envelhecida e com manchas», indica Leonor Girão. Um bom creme pós-solar deve, por isso, conter ingredientes que ajudem a pele a recuperar destes danos. Esses ingredientes devem ter uma ação:

- Hidratante

A hidratação aumenta a tolerância cutânea e a sua capacidade de retenção de água. Esta situação permite-lhe enfrentar melhor a exposição solar seguinte e conseguir, assim, um bronzeado mais uniforme e luminoso. Este passo é de tal forma importante que, se hidratarmos muito bem a pele (antes, durante e depois da exposição), pode-se evitar o ressequimento provocado pelo sol. Leonor Girão aponta como bons emolientes (hidratantes) a manteiga de karité, o óleo de onagra e a vaselina, por exemplo.

- Refrescante e calmante

Os extratos vegetais, as águas termais, a alantoína ou o aloé vera são excelentes agentes hidratantes e calmantes. Para além disso, quando se utiliza fotoprotetores com filtros químicos, o calor das radiações solares fica acumulado nas camadas superficiais da pele, desidratando-a, pelo que estes ingredientes são fundamentais para atenuar o aquecimento das células e conseguir os necessários e benéficos efeitos de frescura e calma.

- Regenerante

A exposição solar causa também danos nas fibras de colagénio e de elastina (fibras de sustentação da pele), o que, com a passagem do tempo, gera o aparecimento de rugas precoces. Para contrariar na medida do possível estes danos, as fórmulas after-sun devem ser ricas em agentes regeneradores, como o ácido lático e a ureia. «Esta ação poderá ser complementada, sobretudo nos produtos de rosto, com substâncias antioxidantes, como as vitaminas C e E, por exemplo», indica Leonor Girão.

Como otimizar os resultados

Dizemos-lhe o que fazer para tirar o máximo partido destes produtos:

- Aplique-os sempre sobre a pele limpa e seca, a não ser que se trate de uma fórmula em óleo, que pode (e deve) ser aplicada sobre a pele húmida. Aplique massajando com suavidade para facilitar a penetração dos ativos na pele.

- Apesar de ser conveniente refrescar-se, eliminar os resíduos de filtro solar e aplicar uma fórmula regeneradora, logo após a exposição solar, é aconselhável repetir a aplicação do after-sun antes de se deitar. Os mecanismos de atividade da pele estão mais recetivos durante o período noturno e as atividades de reparação e rehidratação têm maior eficácia à noite.

- A quantidade a aplicar deve ser generosa, à semelhança do protetor solar. Deve aplicar, em média, o equivalente a três colheres de sopa para todo o corpo. Esta quantidade pode variar um pouco consoante o grau de necessidade de cada pele, tomando como referência que o resultado final deve traduzir- se em conforto. Assim, se a sua pele é gordurosa, poderá necessitar apenas de duas colheres de creme e, se for seca ou muito seca, poderá necessitar de seis colheres ou mais.

Texto: Fernanda Soares

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