Os tratamentos estéticos que os especialistas menos recomendam

Descubra já quais são

Com o aparecimento de novas técnicas estéticas ou cirúrgicas é necessário ter em conta que nem todas são realmente eficazes.

Algumas podem inclusive implicar alguns riscos. Veja a opinião dos especialistas que contactámos sobre alguns dos procedimentos mais utilizados e tenha noção dos perigos que lhe podem estar associados.

Para Biscaia Fraga, director do serviço de cirurgia plástica maxilo-facial do Hospital Egas Moniz e da Clínica Biscaia Fraga, em Lisboa, «o face-lift clássico é um acto
cirúrgico agressivo com margem para
complicações e alterações importantes e
as próteses com incisão sub-mamária, uma
vez que conduz a um peito de aspecto artificial
e cicatrizes facilmente visíveis».

Já Freire dos Santos, director do serviço de cirurgia plástica dos
Hospitais da Universidade de Coimbra, da Clínica Freire dos Santos em Coimbra e da
Bioart Clinic, em Lisboa, diz-nos que a remodelação mamária com ácido hialurónico é a menos recomendada, «já que os efeitos a longo prazo são desconhecidos. Até hoje existem apenas dois trabalhos sobre esta técnica e
começam a aparecer muitos casos descritos
de complicações locais associadas. Não
está aprovado pela FDA para uso nos EUA e
Canadá».

Para Ibérico Nogueira, cirurgião plástico diplomado pelo Conselho Federal
de Medicina do Brasil, a exercer actualmente na Clínica Ibérico
Nogueira, em Lisboa, o tratamento estético que menos recomenda é a lipoaspiração em pacientes
obesos
. «A obesidade é uma contra-indicação absoluta para este tratamento.
Nestes casos, medidas higieno-dietéticas
e exercício físico permitem reequilibrar
o paciente e aproximá-lo do peso ideal,
tornando-o, assim, apto a submeter-se a
este tipo de cirurgia sem correr riscos desnecessários».

Já Alexandra Osório, dermatologista mestrada em Dermatologia
Estética, nas clínicas DermAge em Leiria
e Lisboa, diz-nos que a «utilização de material de preenchimento
com produtos permanentes como
o PPMA (polimetilmetacrilato)» é o que menos aconselha porque podem
dar origem a reacções adversas. «Aparecem
com frequência granulomas (nódulos duros
e desfigurantes), que só podem ser tratados
por pequena cirurgia ou por dissolução após
várias aplicações de cortisona injectável», sublinha.

Para Manuela Cochito, dermatologista na clínica Manuela Cochito em Lisboa, o uso de enchimentos de longa duração (metacrilatos) não é o mais aconselhável «pelo risco grande de reacção alérgica» e a auto-enxertia, «por ser uma técnica cujo custo-benefício
não compensa em relação ao ácido hialurónico», considera.

Para Campos Lopes, dermatologista na Clínica do Homem e da
Mulher e no Hospital da Luz, em Lisboa, «todas as técnicas têm o seu fundamento.
Mas é essencial que quem as aplica
seja especializado e credenciado para tal.
A maioria dos problemas pós-intervenção não
surgem da técnica em si, mas sim da má aplicação
da mesma», afiança este especialista.


Veja na página seguinte: Os perigos da radiofrequência, ultra-sons, infravermelhos e da sonoforese

António Boavida, médico especializado em Medicina Estética e director clínico da Clínica Médica Ocidem, em Lisboa, considera que a maioria dos tratamentos
de electromedicina (radiofrequência, ultra-sons, infravermelhos, sonoforese, entre outros),
quando bem executados, com equipamentos
de qualidade e controlo médico dão
bons resultados.

«Mas, sem indicação ou
controlo médico, podem ser perigosos. Podem
queimar, manchar, provocar uma fractura
óssea ou outro tipo de lesão, que pode
vir a ser irreversível. Só devem ser prescritos
como tratamentos médico-estéticos, sob indicação
e orientação médica», alerta.

Para Victor Junqueira, médico mestrado em Medicina AntiAging e
coordenador da área de Medicina Estética
na clínica My Clinique em Lisboa, «todas as técnicas têm alguma
validade mas algumas não demonstram a
sua eficácia em percentagens suficientes
para que sejam recomendadas. Deve evitar-se o uso da anestesia geral e a utilização
de substâncias que possam provocar
reacções alérgicas», refere.

Mariana Alves, médica especializada em Medicina Estética
na Corporación Dermoestética, desaconselha, por seu lado, a fotodepilação
de luz pulsada intensa
nos meses que
antecedem o Verão. «O sistema tradicional
de fotodepilação usa um sistema de luz
pulsada com um feixe que incide sobre a
melanina presente no pêlo que recebe a
maior parte da energia, enquanto a pele
recebe menos. Quanto mais clara for a pele
e mais escuro for o pêlo, melhores são
os resultados deste tratamento, porque é
na melanina que actua este sistema de fotodepilação», justifica a especialista.

Texto: Ana Catarina Alberto

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