Os novos amigos da pele

O estilo de vida moderno é prejudicial para a epiderme mas existem fórmulas que a protegem

Noitadas de trabalho, poucas horas de sono e níveis elevados de stress… Este cenário, familiar para muitas mulheres, afeta a pele de várias formas.

Felizmente a indústria cosmética está atenta. Se há uns anos um rosto cansado e macilento era reflexo de uma vida difícil, hoje em dia, estas características estão associadas a mulheres que nunca desligam e vivem sob stresse constante.

Atualmente, as mulheres bem-sucedidas estão sempre comunicáveis, à distância de um clique no iPhone–, prontas para resolver problemas familiares ou para marcar presença em eventos sociais. A par da responsabilidade profissional e das obrigações de mãe, surge uma necessidade quase visceral de aproveitar os tempos livres e de procurar a felicidade em todo o lado. Mas ascender na carreira e lutar para ser a melhor mãe/companheira/amiga não se traduz numa melhoria da qualidade da pele.

Antes pelo contrário! O rosto denuncia o cansaço, as rugas ficam mais marcadas e o tom de pele torna-se acinzentado e heterogéneo. Para nossa sorte, as marcas de beleza aperceberam-se atempadamente das mudanças que estão a ocorrer na sociedade e no estilo de vida destas mães/profissionais/animais sociais e, depois de levarem a cabo vários estudos, lançaram linhas de tratamento e cuidados específicos para quem vive em stresse.

Stresse a mais

Ter 30/40 anos hoje é muito diferente do que foi nas últimas décadas. Os sociólogos falam numa aceleração da história protagonizada pela «geração millennial», a geração que cresceu antes do boom tecnológico e assistiu à forma como as novas tecnologias transformaram de forma transversal e radical as nossas rotinas. Os millennials conheceram um mundo com cabines telefónicas e sem internet e, hoje, já não conseguem sair de casa sem telemóvel.

Estão sempre em rede, procuram a felicidade em todo o lado e vivem o presente de forma intensa, conscientes da aceleração do tempo. A nossa geração, sobretudo a que se concentra nos meios urbanos, vive tempos de uma pressão sem precedentes. Segundo um estudo da American Psychological Association, 75% dos adultos reportou ter experienciado níveis de stress entre moderado e alto nos últimos meses e quase metade confirmou que o seu stresse aumentou no último ano.

A combinação de uma vida familiar harmoniosa com empregos exigentes e a necessidade de estar acessível a toda a hora é o mesmo que dizer que não sobra tempo para o cuidado com o corpo ou, mais especificamente, com a pele. Esta realidade afeta incontornavelmente o processo de envelhecimento e pessoas na casa dos trinta parecem ser mais velhas do que realmente são. E é oficial. O estilo de vida moderno é prejudicial para a pele.

O stresse é um dos principais fatores para o envelhecimento prematuro e para o desenvolvimento de sensibilidade cutânea, eczema, psoríase, rosácea ou dermatite seborreica. De acordo com o dermatologista David Serra, «apesar de a pele ser um órgão especialmente vocacionado para lidar com situações de stresse, uma vez que constitui o nosso revestimento e está em permanente contacto com o meio externo e o meio interno», não deixa de se ver afetada.

Essa manifestação é feita através de sintomas como desconforto cutâneo, irritação, sensação de picadas, comichão, intolerância a cosméticos, vermelhidão e descamação. Para além disso, «o stress desencadeia fenómenos inflamatórios e degenerativos que, a longo prazo, contribuem para o envelhecimento da pele», revela David Serra. Visualmente, as consequências dos níveis de stresse a que estamos sujeitos manifestam-se em irregularidades na pigmentação (manchas) e numa maior profundidade das rugas nasogenianas.

Que o diga a marca de cosmética Vichy que, através da observação de duas gémeas, uma a viver no campo e outra na cidade, constatou que aquela que vivia em meio urbano, sujeita a stresse, a uma alimentação desequilibrada e à poluição ambiental, apresentava muito mais sinais de envelhecimento do que a que vivia na pacatez da vida campestre. O resultado desta investigação traduziu-se no lançamento de um sérum, o Idealia Life Serum, que protege a pele dos principais agressores ambientais.

Sono a menos

Outro fator associado ao estilo de vida moderno é a falta de sono. Estamos permanentemente conectadas e, até quando nos deitamos, somos capazes de responder a mensagens ou de deixar a televisão ligada pela noite dentro. Estamos sempre alerta raramente nos damos a oportunidade de um sono verdadeiramente reparador. A pergunta que se coloca é porque é que o sono é tão importante? A resposta é simples.

O corpo humano segrega hormonas de crescimento, que ajudam as células e os tecidos a recuperar. Além disso, a falta de sono suprime o sistema imunitário, o que dificulta a produção de colagénio, tão importante para a saúde da pele. Por isso, numa investigação recente, a Chanel decidiu medir os efeitos da privação de sono e descobriu que a pele das mulheres sujeitas a este teste perderam elasticidade, luminosidade e tónus.

Como resposta, a conhecida marca criou um trio de séruns (um para o dia, outro para a noite e outro para o fim de semana) direcionados para mulheres com um estilo de vida agitado, pautado pela falta de horas de sono e enriquecido com agentes que estimulam a renovação celular e preenchem a pele.

No entanto, os cuidados cosméticos não bastam para salvar a nossa pele. Por isso, impõem-se algumas alterações no estilo de vida, uma vez que são a única forma de melhorar a qualidade da pele e reforçar a barreira cutânea. «Repousar adequadamente, fazer uma alimentação equilibrada, não fumar, moderar a exposição solar», são algumas das recomendações do dermatologista David Serra.

E a verdade é que pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. Por isso, talvez esteja na altura de rever os seus hábitos e de começar a cuidar-se não só por fora, com a ajuda cosmética, mas também por dentro!

A falta de sono envelhece

Atenta ao facto de, atualmente, as pessoas dormirem menos do que deveriam, a marca Estée Lauder desenvolveu um estudo com o Case Medical Center (EUA) para compreender a perceção das mulheres sobre o sono e a forma como este influencia a sua aparência e bem-estar. Foram avaliadas 7.000 mulheres, divididas em dois grupos. Um que dormia pouco (menos de cinco horas por noite) e outro que dormia bem (mais de sete horas de um sono de qualidade).

Pela primeira vez, ficou provado que a privação crónica de horas de sono pode acelerar os sinais de envelhecimento e abrandar os processos naturais de reparação da pele, o que conduz a:

- Aceleramento do aparecimento de linhas finas

- Propensão para a desidratação da pele devido a uma barreira de hidratação mais danificada

- Tom de pele desigual

4 passos para uma pele relaxada

1. Durma o suficiente. Deite-se cedo. Vários estudos comprovam que a regeneração celular ocorre de madrugada, pelo que faz toda a diferença dormir enquanto está escuro.

2. Faça o sono render. Durante a noite, a pele tem tendência para ficar desidratada, por isso aproveite para aplicar um produto mais nutritivo, como aplicar uma máscara.

3. Esfolie com moderação. Esfoliar-se em demasiadas vezes ou com força a mais pode causar irritação. O truque para uma pele saudável é senti-la limpa mas, ainda assim, macia.

4. Insista na hidratação. Aumentar a capacidade da pele para reter água é fundamental. Experimente aplicar o hidratante logo depois de lavar o rosto para selar a hidratação.

Texto: Madalena Alçada Baptista com David Serra (dermatologista na Idealmed – Unidade Hospitalar de Coimbra)

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