Os ciclos que afetam a pele

O passar dos anos condiciona a evolução das células. Conheça os processos biológicos que ocorrem na epiderme e saiba como protegê-la, de dia e de noite, das agressões externas

À semelhança do que acontece na natureza, em cada estação do ano, a nossa pele também está sujeita a um processo biológico que difere ao longo de 24 horas e muda conforme a idade. Submetida a agressões externas durante o dia, é durante o sono que a derme restabelece o equilíbrio e recupera a juventude. Com as indicações de Manuela Cochito, dermatologista, conheça melhor a sua pele e saiba que tipo de produtos deve privilegiar para que a sua tez enfrente o passar do tempo com vitalidade.

Os agressores do dia

Reflexo do estilo de vida adoptado, até a pele mais radiante perde o brilho após uma semana de cansaço extremo. Se às poucas horas de sono e à alimentação desequilibrada forem acrescentados o stresse, os hábitos tabágicos e a falta de cuidados básicos de beleza, estará a deixar a pele vulnerável a alguns dos seus principais inimigos. Como explica Manuela Cochito, «o stresse, a poluição, os raios solares UVB e UVA, o tabaco, o álcool e outras substâncias tóxicas com que podemos contactar originam a formação de radicais livres».

Mas não só. Esses fatores criam ainda «outras moléculas tóxicas para as células, que causam danos celulares, acelerando o envelhecimento cutâneo através do envelhecimento das próprias células», esclarece a especialista. A solução para proteger a pele das ameaças que a agridem é «usar cremes de dia à base de substâncias antioxidantes, que tentam neutralizar os radicais livres, e filtros solares, ao longo de todo o ano, para reflectirem os raios ultravioleta e não os deixaram alcançar as células», aconselha.

Noite de regeneração

Enquanto de dia a pele tem de estar protegida e os hidratantes funcionam como um escudo, à noite, tal como todo o organismo, a pele recupera graças ao repouso. «Durante o sono, a pele inicia um processo de regeneração e de reparação dos danos celulares ocorridos durante o dia. São eliminadas algumas toxinas que se formaram, reparados os danos a nível do núcleo celular e em várias organelas», refere ainda. Na fase de descanso é essencial potenciar o processo de recuperação celular.

Esse é, no entanto, apenas possível, no entender de Manuela Cochito, «com uma correta limpeza da pele e, a partir de certa idade, através da utilização de cremes com princípios activos que favoreçam essa regeneração, como os ácidos de frutos, os retinóides, antioxidantes, vitamina C e muitas outras substâncias em permanente investigação». É que, refere, «aos 25 anos começam a ser visíveis as primeiras rugas de expressão. Aos 30, surgem alguns sinais de flacidez e, dos 35 para a frente, a mulher atinge a maturidade hormonal».

Patologias cutâneas exigem cuidados redobrados

A partir dos 35 anos, a possibilidade do aparecimento de rugas aumenta. «Consequentemente, o processo de renovação celular, que garantia a hidratação da pele, abranda», refere ainda a especialista. Sem a hidratação adequada, a sua pele sentirá dificuldade em manter um aspecto saudável. «Os cremes de dia devem conter antioxidantes e filtros solares (e princípios activos que sejam compatíveis com a exposição solar), já os hidratantes de noite devem ser vocacionados para um tratamento mais a fundo e uma regeneração da pele», sintetiza.

Caso exista alguma patologia cutânea, Manuela Cochito alerta que «os cuidados têm de ser redobrados e orientados sempre por um médico especialista, quer se trate de rosácea, acne, eczema atópico ou outras doenças». Existem médicos, como é o caso da dermatologista Ana Cabral Pinto, que defendem mesmo que nenhum creme hidratante de venda livre deveria ser aplicado sem o prévio aconselhamento de um especialista desta área, sob pena da sua formulação poder potenciar outros problemas.

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