A pele precisa de cálcio

Assim como os ossos, a epiderme necessita de cálcio para a regeneração dos tecidos.

A beleza da pele resulta da intersecção de vários factores, nomeadamente genéticos, biológicos, ambientais, sociais e culturais, que, directa ou indirectamente, actuam nos seus elementos constituintes. A composição química da pele compreende essencialmente água e proteínas, tais como o colagénio, a elastina, a ceratina, a melanina, as glicoproteínas e as enzimas. Os lípidos, os fosfolípidos, os esfingolípidos, as ceramidas e os glícidos, tais como o ácido hialurónico, a glicose e o glicogénio também fazem parte da composição química da pele.

Para uma pele se apresentar mais luminosa e saudável, as hormonas, as vitaminas e os oligoelementos que a constituem, como o cálcio, o cobre, o enxofre, o ferro, o fósforo, o iodo, o magnésio, o manganês, o potássio, o sódio e o zinco são fundamentais. Intertítulo: Funções do cálcio O cálcio, apesar de ser um oligoelemento que existe na pele em quantidades muito reduzidas, apresenta grandes propriedades que lhe conferem várias funções essenciais para o bom funcionamento do metabolismo.

Ao nível intracelular

O cálcio intervém nos processos de divisão e de diferenciação celular, no controlo de diversas funções celulares como a contracção muscular, na secreção hormonal, e no metabolismo do glicogénio. Além destes processos, actua também como um mensageiro secundário e como um co-factor enzimático (co-enzima), que transmite os sinais recebidos pelos receptores localizados nas membranas celulares e que, consequentemente, confere às células uma maior capacidade de resistência aos diversos agentes externos adversos.

Ao nível extracelular

O cálcio participa em vários processos fisiológicos, tais como na coagulação sanguínea, na produção do fluido intersticial (líquido envolvente às células), na manutenção da estrutura proteica dos ácidos nucleicos (ácido desoxirribonucleico – ADN e ácido ribonucleico – ARN), na adesão entre as células, na manutenção da integridade do esqueleto e na excitabilidade das células nervosas.

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O cálcio e a pele

De um modo geral, o cálcio é considerado um agente de regulação de cada órgão, incluindo a própria pele. A pele, o maior e talvez o mais complexo órgão do corpo humano, contém cerca de 1% de cálcio, o qual, a nível cutâneo, assegura a coesão entre as células, intervém na produção dos lípidos da hipoderme e contribui para a manutenção do nível de hidratação. Uma pele tratada com sais de cálcio apresenta melhores propriedades de densidade, elasticidade, assim como possui um eficiente mecanismo de comunicação celular, o que reforça a sua capacidade de protecção do organismo.

Apesar da contínua descamação que ocorre nas camadas superficiais da pele, esta apresenta uma espessura constante, a qual é assegurada pelos iões de cálcio que estimulam a divisão celular, de modo a que as células envelhecidas sejam substituídas de uma forma rápida e eficiente. Deste modo, o cálcio apresenta-se também como um instrumento de regulação da divisão celular e da consequente renovação das células.

Aplicação na cosmetologia

O cálcio estimula também a produção de agentes antioxidantes que conferem protecção contra o cancro da pele. Apesar de, actualmente, a presente descoberta científica apresentar ainda algumas lacunas, confirma-se que o cálcio previne os danos na molécula de ADN, o que impede o envelhecimento prematuro da pele.

Devido à reduzida permeabilidade da membrana celular às macromoléculas e à sua rápida degradação, a utilização de proteínas e péptidos na cosmética é muito limitada. Nesse sentido, são cada vez mais utilizados elementos que apresentam uma capacidade eficiente de penetração celular, como o cálcio.

Assim, face às suas importantes propriedades, a ciência dermatocosmética tem despertado um crescente interesse no cálcio, sendo por isso cada vez mais frequente a presença deste elemento na composição química de inúmeros produtos de cosmética.

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Penetração cutânea

A penetração do cálcio na pele é facilitada por se tratar de um oligoelemento (elemento químico em quantidade muito reduzida, nos seres vivos, mas cuja presença é indispensável à vida) e por ser um constituinte natural da própria pele, o que minimiza a resistência do extracto córneo da epiderme à penetração cutânea deste elemento. Cada corneócito da camada córnea é envolvido por um invólucro proteico com receptores celulares específicos.

A sua superfície interior está ligada a filamentos de ceratina, estando a superfície externa ligada de forma covalente a uma camada de hidroxiceramidas, que constituem no seu todo o chamado invólucro lipídico. Deste modo, a composição do extracto córneo e a disposição das suas células e lípidos constituintes facilitam a penetração de iões de cálcio. Assim, o cálcio é provido da capacidade de penetração das células por um mecanismo independente de energia, transporte passivo, acumulando-se directamente no citoplasma.

Através de uma simples aplicação tópica de um creme ou de uma máscara facial que contenha cálcio, facilitam a penetração deste elemento na pele através de várias estruturas, como os canais das glândulas sebáceas e sudoríparas, os canais dos folículos pilosos e os poros. Por sua vez, o cálcio atravessa a membrana plasmática dos queratinócitos, o que desencadeia uma série de reacções intracelulares, que permitem a sua acumulação no citoplasma das células queratinócitas.

Benefícios

O cálcio, ao penetrar na pele, induz a estimulação da síntese da enzima carboxipeptidase, a qual percorre os vários extractos da epiderme, desde o mais superficial até ao mais profundo e estimula os cromossomas 1 e 10,l que regulam a produção de ceratina, assim como a maturação das citoceratinas e dos desmossomas, estruturas cálcio-dependentes que garantem a coesão celular e asseguram a função de barreira protectora da pele.

Ao penetrar nas camadas mais superficiais da epiderme, o cálcio produz respostas imunomoduladoras, que induzem a divisão de novas células na base da epiderme (camada basal), as quais se vão diferenciando até à camada mais superficial (camada córnea). Deste modo, a espessura da epiderme é controlada e a comunicação entre as células, essencial para a função de barreira de protecção da pele e para o seu rejuvenescimento, é regulada. Além destes benefícios, o cálcio também favorece a síntese de colágenio e elastina, fornecendo firmeza e resistência aos tecidos, colaborando eficazmente no combate à flacidez. A sua acção é potencializada se associada à vitamina D, ao magnésio e ao fósforo.

Em suma, o cálcio consiste num elemento, que, ao actuar na pele, mesmo em quantidades ínfimas (por exemplo, no corpo de um adulto, de aproximadamente 60kg, a necessidade diária de cálcio é de 1000mg), desempenha funções de extrema importância que asseguram a saúde e o bem-estar da pele, sendo por isso um elemento extremamente poderoso que enriquece o potencial dos cosméticos que o apresentam na sua constituição.

Apesar disso, as necessidades reais deste elemento dependem das taxas de absorção de cada indivíduo e de factores dietéticos tais como as quantidades de proteínas, vitamina D e fósforo no organismo. Ao regular a divisão e a renovação celular da pele, o cálcio assegura o seu equilíbrio fisiológico, reequilibrando a sua espessura, devolvendo à pele a sua juventude, brilho, hidratação, elasticidade e suavidade.

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Fontes de cálcio

As necessidades diárias de cálcio variam de pessoa para pessoa e consoante os diferentes períodos da vida. Actualmente, o nível recomendado de cálcio na dieta de um adulto é de aproximadamente 1000mg/dia. Numa criança saudável as necessidades traduzem-se para um consumo diário de cerca de 800mg de cálcio. No final da adolescência e no início da vida adulta os valores alteram para 1300mg/dia. Um consumo extra de cálcio, ajuda a aumentar a densidade dos ossos e protege contra perdas de massa óssea na terceira idade.

Também durante a gravidez e o período de aleitamento o nível necessário de cálcio é elevado, cerca de 1500mg/dia, de modo a assegurar o equilíbrio do organismo. Nestas circunstâncias as mulheres precisam de aumentar o consumo de cálcio, uma vez que para além da saúde da mulher, o cálcio é essencial para a formação do esqueleto do feto e para a produção de leite.

No período pós-menopausa, além da maior necessidade, aparecem dificuldades na absorção desse nutriente, sendo recomendadas por especialistas 2000mg/dia. O leite e os seus derivados, de preferência com baixos teores de gordura, são uma das fontes de cálcio na alimentação. No entanto, existem também outras fontes alternativas de cálcio como o bacalhau, a sardinha, o salmão, os vegetais verdes e de folhas largas como brócolos, couve, repolho e folhas de mostarda.

Fórmulas rigorosas

O cálcio é uma ferramenta extremamente poderosa no rejuvenescimento da pele. No entanto, o processo de formulação dos complexos cosméticos, à base deste elemento, é muito complexo. Isto acontece porque, para haver resultados o cálcio tem que ser combinado em rácios exactos com outros elementos químicos para que a absorção celular ocorra, tais como, por exemplo, a vitamina D.

Acção do cálcio na pele

 – Mantém a espessura da epiderme;

– Regula a função dos melanócitos;

– Regula os processos de barreira lipídica;

– Estimula a produção de antioxidantes.

Ilustração: Starush-fotolia.com

Texto: Rita Soares, mestre em Biotecnologia pela Universidade do Algarve

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