Socorro, estou a ficar igual à minha mãe!...

O choque! O drama! Eu, uma mãe tão liberal, compreensiva, companheira e brincalhona, sou igual à minha mãe? Mas como é que isso é possível?

Vivi a enorme bênção de a minha mãe ter sido, quase sempre, fantástica. Extremamente presente, muito carinhosa, bastante preocupada. Mas, ali na entrada daquela idade parva que se chama adolescência, comecei a aperceber-me de que o “quase sempre” da frase anterior implicava algumas lacunas que me incomodavam. E irritavam, assumo.

Acho que todos já pensámos (ou dissemos) que nunca iríamos ser como os nossos pais. Eu confesso que, logo em tenra idade, defini uma série de princípios para a minha eventual condição de mãe, tendo jurado a mim mesma que nunca repetiria uma série de coisas que saíam da boca da mulher que me deu à luz:

- Enquanto viveres nesta casa, fazes o que eu te mandar!
- Quando fores mãe, logo entendes o que é educar um filho!
- Onde é que pensas que vais assim vestida?
- Esta casa não é um hotel, para só vires comer e dormir!

Tudo coisas que, pelas conversas que na altura eu tinha com as minhas amigas, pareciam ser uma realidade na maioria das casas. Mas estas (e outras) frases, que eram proferidas incontáveis vezes por dia, fizeram-me (ainda hoje) ganhar uma aversão enorme a este tipo de abordagem.

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