Serão os homens de hoje melhores do que os seus progenitores?

Os pais portugueses da era atual tendem a ser mais afetuosos e próximos dos filhos do que os das gerações anteriores. Três testemunhos surpreendentes.

Os tempos mudaram e os paradigmas dos dias que correm são outros. «Hoje, o pai próximo dos filhos é muito valorizado socialmente nos media e nas famílias e os homens sentem a pressão. Isto não significa que, nos anos 60 e 70 do século XX, não fossem próximos dos filhos», considera, contudo, Sofia Marinho, socióloga e investigadora na área da família, coparentalidade e relações de género no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

«Num estudo que realizei, encontrei pais igualmente presentes e ajudantes das mulheres e não tanto pais igualitários», revela a especialista. «A expressão de afetos e ajuda às mulheres já existia, mas o homem que cuidava dos filhos não era valorizado. A proximidade construía-se pelo companheirismo nas brincadeiras e lazeres de fim de semana», acrescenta.

Mas serão os homens de hoje melhores do que os seus progenitores? Veja o que dizem os novos pais:

- «É completamente diferente. O meu pai não fazia nada em casa. As tarefas eram todas divididas entre a minha mãe, as minhas duas irmãs e eu. Quando vou buscar as minhas filhas à escola, elas contam-me tudo o que aconteceu. Com o meu pai não partilhava nada, só as notas da escola e pouco mais», refere Nuno Silva, 41 anos.

- «Pelo que me contam, o meu pai também ajudava a minha mãe, dava-me o biberão, o banho, mas era só isso. Para mim, como pai, tem sido importante ganhar esta relação com o João. De outra maneira não me sentiria bem ver a Rita a fazer tudo. Para mim, o que é natural é fazermos os dois», afirma David Lima, 39 anos.

- «Nunca tive muito contacto com o meu pai. Para mim, ser pai, acaba por tentar proporcionar experiências ao Guilherme que nunca tive. Comparando com os primos pequenos que acompanhei, não acho que a realidade agora seja tão diferente. Agora temos uma perspetiva mais aberta, fazemos atividades, levamo-los a passear. Antes ficava-se por casa para não apanhar frio», critica Pedro Lopes, 30 anos.

Texto: Manuela Vasconcelos

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