Quando as crianças recusam os novos companheiros dos pais

O conceito de família é hoje muito diferente do que (ainda) era num passado muito recente e, com as novas realidades, surgiu uma nova fonte de problemas. Veja o que deve fazer para lidar com o problema.

O caso de Maria Isabel Guedes (nome fictício) está longe de ser único. Depois do divórcio, ficou a viver com o filho. Durante anos, a convivência foi tranquila mas, agora que se voltou apaixonar e a introduzir um terceiro elemento nessa relação, as coisas complicaram-se. «Tenho 31 anos, sou mãe de um rapaz de nove anos. O meu filho tem pouca ligação com o pai, pois separei-me quando ele tinha apenas oito meses», desabafa.

«Recentemente, comecei a sair com uma pessoa e, desde que o meu filho se apercebeu, alterou o seu comportamento», revela. «Faz chichi na cama, mostra-se irritadiço e dependente. Já lhe disse que esta pessoa nunca ocupará o seu lugar, expliquei-lhe o amor incondicional que se sente por um filho e que podem vir a ser amigos (ainda não os apresentei). O que posso fazer para que ele entenda e continue a ser feliz?», questiona.

Esta é a pergunta que Isabel mais se tem feito nos últimos meses. «Para uma criança com nove anos, as explicações podem não ser suficientemente tranquilizadoras para se sobreporem aos receios. O seu filho, segundo diz, terá sentido bem cedo (e sentirá) o peso de deixar de ter um dos progenitores por perto. É natural que isso o faça, mesmo inconscientemente, recear perdê-la a si», justifica o psicólogo Vítor Rodrigues.

«Por outro lado, introduzir demasiado cedo uma pessoa nova na vida dele pode acarretar o risco (sempre presente, de qualquer modo) de uma desilusão caso essa pessoa saia, depois, da vida relacional. É natural que os receios do seu filho se atenuem na medida em que sinta em si um comportamento consistente quanto ao amor e à disponibilidade», refere ainda o especialista. Mais do que falar do assunto, é importante que a criança sinta essa segurança.

«Por outro lado, é claro que as crianças são sensíveis a comportamentos não verbais e ele deve ter detetado, em si, uma mudança, talvez uma alegria, que não tem diretamente a ver com ele mas com uma relação a que a mãe, diga-se, tem pleno direito. Daí a dificuldade», sublinha Vítor Rodrigues, especialista habituado a lidar com casos semelhantes, que deixa ainda uma última recomendação.

«Sugiro que procure, na medida do possível, dedicar-lhe tempo de qualidade e estar sempre disponível para falar com naturalidade do seu novo relacionamento. Se tudo correr bem, com o tempo, o seu filho perceberá que até pode ganhar muito com mais um adulto afetivo na sua vida. Se o assunto continuar complicado, talvez possa tornar-se útil recorrer a algum apoio por um psicoterapeuta, que poderá ajudar o seu filho a lidar com os seus prováveis medos de modo mais expedito», acrescenta.

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