Gravidez na adolescência

Psicóloga alerta para a necessidade de uma intervenção mais focalizada junto dos grupos de risco

De acordo com dados da ONU, Portugal tem das maiores taxas de fertilidade em adolescentes da Europa.

Em 2009, o número de bebés gerados por mães com idades entre os 11 e os 19 anos foi o mais baixo desde 1970 mas, ainda assim, ultrapassou os 4.000.

Números que significam que, por dia, em termos médios, uma dúzia de adolescentes deram à luz. Mas serão essas gravidezes apenas um deslize ou podem ser encaradas como o início de um projeto de vida? Raquel Pires, membro da Linha de Investigação Relações, Desenvolvimento & Saúde da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e psicóloga colaboradora da Unidade de Intervenção Psicológica da Maternidade Dr. Daniel de Matos, em Coimbra, responde.

 

Esta especialista afirma que a gravidez na adolescência «tem-se revelado um fenómeno determinado por uma multiplicidade de fatores», sendo por isso a «divulgação de informação e disponibilização de métodos contraceptivos apenas uns dos factores de extrema importância» para os jovens se protegerem ou não de gravidezes indesejadas.

Raquel Pires afirma mesmo que, para além do acesso à informação e disponibilização dos métodos contracetivos, «existem muitos outros factores na vida dos adolescentes, nomeadamente individuais, relacionais e/ou socioculturais, a contribuir para a ocorrência de gravidez», chamando assim a atenção para a necessidade de «ações preventivas que atendam às especificidades dos grupos de maior risco».

No que respeita à educação sexual nas escolas a psicóloga refere que «muitas das adolescentes que engravidam revelam já ter abandonado o sistema de ensino antes da ocorrência da gravidez. Este facto faz delas um grupo de risco a que essa forma de prevenção não chega de forma tão eficaz», sublinha a responsável.

 

Raquel Pires acrescenta ainda que o facto de «muitas destas jovens provirem de meios socioeconómicos e culturalmente desfavorecidos, estando ainda fora do mercado de trabalho, a gravidez pode constituir-se como um projeto de vida, entendido até, por vezes, como reforçador das suas relações, habitualmente com rapazes mais velhos e também eles fora do ensino há vários anos».

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